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Jornalistas impedidos de assistir ao encerramento do congresso do MPLA

O MPLA, partido no poder em Angola, impediu este sábado os jornalistas de assistirem ao encerramento do seu 7.º Congresso Extraordinário. À imprensa foi vedado o acesso ao local onde decorriam os trabalhos e na sala destinada aos jornalistas, no complexo turístico do Futungo de Belas, nos arredores de Luanda, a televisão que transmitia ao vivo o congresso foi desligada “por ordens superiores”, como relata a Lusa.

Jornalistas impedidos de assistir ao encerramento do congresso do MPLA
Jornalistas impedidos de assistir ao encerramento do congresso do MPLA

Menos de dois anos passados desde que chegou ao poder, o que se assistiu neste fim-de-semana foi uma espécie de regresso ao passado em Angola ou de mudança na continuidade, com a mobilização das entidades públicas em função das actividades internas do partido no poder, que deixou de ser único em 1991, mas ainda mantém os proveitos de ser ainda hoje chamado de “o partido”.

A Televisão Pública de Angola cobriu exaustivamente o encontro partidário, com directos dos trabalhos, e os militares foram colocados em “prontidão combativa elevada” pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, general António Egídio de Sousa Santos, conhecido por general Disciplina.

Justificava-se o militar no despacho, citado por Rafael Marques, que havia a “necessidade de tomada de medidas preventivas, por forma a evitar incidentes que perturbem a ordem e a tranquilidade públicas durante o referido evento”.

Um evento que consagrou o alargamento do comité central do partido para 497 membros, de modo a dar entrada a 134 novas caras, eleitas em lista única com mais de 92% dos votos, que permite rejuvenescê-lo ou, como outros interpretam, dá a João Lourenço um maior controlo sobre este importante órgão partidário.

João Lourenço herdou um comité central eleito em 2017, ainda no tempo do seu antecessor, José Eduardo dos Santos, como líder do MPLA, e nada podia fazer em relação à sua alteração, porque a sua composição só pode ser alterada em congresso ordinário e o próximo está marcado para 2022. Alargar o comité foi a forma que arranjou para superar esse impedimento estatutário.

Já este domingo, na primeira reunião do bureau político pós-congresso, Paulo Pombolo, o até agora secretário para a Informação do MPLA, foi eleito secretário-geral, passando a ocupar o lugar de Boavida Neto como número três do partido, logo a seguir a Lourenço e à vice-presidente Luísa Damião. O mesmo cargo que João Lourenço chegou a ter entre 1998 e 2003.

Fonte: Publico/ Lusa

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