POLÍCIA INVESTIGA MORTE DE DIRIGENTE DA UNITA

O Comando da Polícia Nacional na província angolana de Malanje está a investigar as circunstâncias da morte do secretário municipal da UNITA, maior partido na oposição, em Cambundi-Catembo, ocorrida no domingo naquela localidade, informou hoje fonte policial.

Oporta-voz do Comando Provincial de Malanje da Polícia Nacional, inspector-chefe Junqueira António, disse que está já em curso um processo investigativo com vista a um “rápido esclarecimento” dos factos e “responsabilização dos autores”.

“O processo investigativo está em curso e tão logo haja elementos suficientes da prova do facto, far-se-á um pronunciamento com maior propriedade sobre este infausto acontecimento”, explicou.

Segundo aquele oficial, há uma equipa a trabalhar no terreno, a preparar “matéria probatória suficiente e os presumíveis os autores”.

A UNITA denunciou esta semana o homicídio do secretário municipal de Cambundi-Catembo, na província de Malanje, cuja responsabilidade atribui a elementos afectos ao MPLA, partido no poder.

O caso foi relatado pelo porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, que classificou a vítima como um “homem muito activo, trabalhador, patriota e grande mobilizador”.

Alcides Sakala considerou o caso como mais um acto de intolerância política, que se segue a outros ocorridos nas províncias de Benguela, Lunda Sul e Huambo, lamentando o silêncio por parte das autoridades angolanas sobre essas situações.

Questionado sobre se a morte do dirigente da UNITA em Malanje está ligada alegados actos de intolerância política, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional disse “não ter elementos suficientes”.

“Porque acredito que todos os partidos com e sem assento no Parlamento trabalham normalmente. Infelizmente é um crime e não deixa de ser crime, daí que a polícia está a trabalhar sobre o assunto”, observou Junqueira António.

Garantiu que “na devida altura” a polícia vai pronunciar-se sobre o resultado das investigações.

Segundo a explicação anteriormente avançada pelo porta-voz daquele partido, Alcides Sakala, a vítima encontrava-se num velório, onde terá iniciado uma discussão com elementos da JMPLA, organização juvenil do MPLA, que rejeitavam a sua presença no local, alegadamente por ser membro da UNITA.

“O homem da CASA-CE tentou apaziguar e a situação normalizou, mas quando ia à casa para repousar foi quando foi barbaramente assassinado. Tinha os olhos vendados e foi encontrada uma pá sob o corpo, o que dá a entender que a devem ter utilizado para acabar com o homem”, explicou o deputado e porta-voz da UNITA.

A morte de Eduardo Monteiro Catchindimbi

Osecretário municipal do partido UNITA em Cambundi-Catembo, Eduardo Monteiro Catchindimbi, foi encontrado morto dia 16, de madrugada, no terreno baldio do aeródromo daquela circunscrição a sul de Malanje.

A vítima de 43 nos de idade, professor de profissão apresentava escoriações nos tornozelos, com sinais de asfixia e com uma pá sobre a caixa torácica, presumivelmente usada pelos agressores.

A conselheira da Liga da Mulher Angolana (LIMA), na região, Maria da Conceição Manuel, disse não existir qualquer razão para o assassinato de um cidadão exemplar.

“Eu ao vir da igreja encontro as pessoas a correrem por que aí o professor Eduardo morreu, fui atrás e encontrei o corpo estendido ao lado da pista”, afirmou, justificando “não tinha briga com ninguém, não discutiu com ninguém (…) só encontramos o corpo”.

O segundo secretário municipal do “Galo Negro”, Ângelo Ernesto Tchicomba, afirmou que a morte de Eduardo Monteiro Catchindimbi é uma perda irreparável meses após as quartas eleições gerais no país.

“Agora fiquei a sós, não tenho como fazer, como aguentarmos a caravana”, disse, exemplificando “era um dirigente que nunca ficou cansado, e isso aconteceu na minha ausência, estive fora e quando regressei encontro esta catástrofe mais um luto no seio do partido, menos um quadro e fiquei a chorar lágrimas secas”.

O laudo médico apontou o estrangulamento como provável causa da morte, de acordo com o responsável do corpo médico na municipalidade, Afonso Agostinho Lumba.

“Segundo o relatório médico foram encontradas algumas lesões, por que a vítima apresentou resistência enquanto estava a ser estrangulado”, precisou.

Alcides Sakala disse que o seu partido recebeu a notícia do seu militante e dirigente local, com revolta e lamenta que as autoridades não estejam a fazer nada para estancar a onda de perseguições e mortes pelo país.

Entretanto, o Presidente da UNITA, Isaías Samakuva encontrou-se com o Presidente da República, João Lourenço, com quem abordou aspectos relativos à reconciliação nacional e aos ex-militares, admitindo-se que terá falado também dos assassinatos dos militantes do seu partido por elementos supostamente ligados ao MPLA.

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