Política

Quadro do MPLA diz não ver em José Eduardo dos Santos referências que nos sirvam de inspiração ou exemplo

João Paulo Ganga usou várias vezes o termo ‘referência’ quando falava sobre Mugabe e JES na Zimbo. Não entendi. Já tenho motivo para nossa próxima conversa.

*António Venâncio 
Fonte: CA

Muitos não o sabem, mas eu e o João Paulo Ganga somos grandes amigos. Sempre que precisamos eliminar equívocos, trocamos rapidamente mensagens ou conversamos ao telefone.
É o que vai acontecer face a esta palavra-chave que usou repetidas vezes e com a qual me colocou numa situação muito confusa.

(…) quem proclamou a nossa Independência foi Agostinho Neto e não Eduardo dos Santos. Neto tinha um ideal para construir uma nação justa, baseada nos princípios de uma economia centralizada e socialista, tendo defendido o seu ideal com verticalidade. Sabia o que queria. Eduardo dos Santos ainda não definiu o que quer. Não somos nem uma coisa nem outra: somos um pequeno grupo de afortunados milionários e bilionários com o dinheiro lá fora com milhões de angolanos carentes, muitos pobres e numa situação calamitosa. Sem saúde, sem educação de qualidade, sem emprego, sem água nem energia, etc.

Neto não se fez rico nem os seus filhos são milionários, nunca misturou o Estado com a sua família dando a eles a tomar conta de toda a economia. Pelo contrário, Neto vivia humildemente.

Neto era pelo diálogo com a UNITA e FNLA segundo os próprios líderes afirmaram e não foi isto o que aconteceu em Angola com Eduardo dos Santos, que fracassou nas negociações políticas deixando aos militares a resolução definitiva do conflito. Foi João de Matos e outros bravos militares de referência que venceram militarmente a UNITA e seus apoiantes. Não foram negociações politicas que trouxeram a paz para Angola. Enfim!

Seria exaustivo continuar esta comparação para mostrar que Eduardo dos Santos em relação a A. Neto é um anão. Apesar das graves situações apontadas a Neto, mesmo assim, ele supera Eduardo dos Santos à distância de anos-luz.

Sem querer retirar o mérito que eventualmente muitos vêem em Eduardo dos Santos, eu sou daqueles angolanos que não vê referências em Eduardo dos Santos que nos sirvam de inspiração ou exemplo. Pelo contrário, entendo que a Eduardo dos Santos e seus bajuladores se deve o atraso gritante do nosso país. As únicas referências que eu poderia apontar são duas: como ajudar a enriquecer os filhos para os tornar milionários sem causa que justifique o mérito e como ficar 38 anos no poder, com todo mundo submetido aos meus ditames, com uma constituição feita especialmente para defender-me.

““As únicas referências que eu poderia apontar a JES são duas: como ajudar a enriquecer os filhos para os tornar milionários sem causa que justifique o mérito e como ficar 38 anos no poder com todo mundo submetido aos meus ditames com uma constituição feita especialmente para o defender. Duas grandes más referências que não encontro em Neto“”

Duas grandes más referências que não encontro em Neto.

Para mim, referência para a juventude e o povo é Agostinho Neto. Tirando as acusações do 27 de Maio e que, diga-se, a sua humildade e honestidade intelectual o obrigaram conscientemente a reconhecer o erro e a desfazer-se dos maus que o rodeavam. Neto morreu com uma conta bancária avaliada em 2.000 dólares e seus filhos modestamente vivendo com o resultado do próprio suor sem irem ao Tesouro do Estado.

Eduardo dos Santos não combateu a corrupção, permitindo a morte de milhares dos seus compatriotas, mas fez a dita “acumulação primitiva de capital” e permitiu o açambarcamento das terras dos pobres camponeses. Morreram cidadãos inocentes à bala disparadas pelos seus seguranças dentro da cidade. Nunca combateu numa frente e não visitou os caídos em desgraças ou acidentes naturais. Não cooperou economicamente com seus irmãos africanos, nem mesmo com a África do Sul que é a maior potência continental. Foi buscar milhares de chineses para obras que serviriam para criar milhares e milhares de postos de trabalho para os seus compatriotas e nem isso fez. Preferiu dar estes postos de emprego aos chineses em obras, algumas das quais com fins eleitorais como ele próprio recentemente afirmou.

Eduardo dos Santos tinha um GRECIMA. Como pode ser a mais alta referência em Angola, um país com verdadeiros heróis vivos e outros já falecidos como Agostinho Neto?

Não aceitarei isto, se for isto que o meu amigo Paulo Ganga quer nos convencer como “boa referência”.

Mesmo em Angola, ainda vivos, e sem terem sido Chefes de Estado, temos referências a apontar aos jovens. Não creio que seja Eduardo dos Santos”.

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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