Religião

Igrejas no país enfrentam problemas de liderança

Mais de mil congregações religiosas actuam no país sem estarem reconhecidas pelo Estado angolano e muitas dessas enfrentam permanentemente problemas internos relacionados com a sua liderança, afirmou o director do gabinete jurídico do Ministério da Cultura.

Desentendimentos no seio de algumas igrejas reconhecidas têm gerado crises de liderança
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

De acordo com Aguinaldo Cristóvão, neste momento apenas 82 congregações religiosas, entre cristãs, protestantes, proféticas, messiânicas e evangélicas, exercem as suas actividades de forma legal no país, sem nenhum constrangimento.
O responsável prestou tais declarações no final da reunião da comissão interministerial para o estudo, tratamento e implementação das medidas tendentes ao controlo e acompanhamento do fenómeno religioso em Angola, realizada em Luanda, entre os ministérios da Cultura e Justiça e Direitos Humanos.
Em relação ao Islão que, aos olhos de todos, vai ganhando terreno, com a sua implantação no país, Aguinaldo Cristóvão referiu-se de forma clara que a Igreja Muçulmana se encontra no lote das mais de mil congregações  religiosas não reconhecidas pelo Estado angolano.
No tocante às igrejas que enfrentam crise de liderança, o director do gabinete jurídico do Ministério da Cultura realçou que nesta condição se encontram a Kimbanguista, Tocoísta, Fé Apostólica, Pentecostal Unida em Angola, BIMA e a Betel.
Na sua qualidade de porta-voz do encontro, Aguinaldo Cristóvão, referiu que a comissão dará um especial destaque aos conflitos de liderança que têm surgido em algumas congregações religiosas.
Para o efeito, afirmou que o Estado angolano, respeitando o princípio da laicidade, defende que os conflitos existentes nas igrejas devem ser resolvidos internamente de forma pacífica respeitando o estipulado na lei e na Constituição.
Questionado sobre a situação da Igreja Josafat, informou que a mesma deu entrada de um processo para a sua legalização por parte do Estado angolano, visto que é originária da Igreja Maná, estando em análise a sua documentação.
No entanto, durante a sua visita ao país, no mês passado, o líder espiritual da Igreja Maná, Jorge Tadeu afirmou que a Igreja Josafat tinha sido extinta, a julgar pelo fim do diferendo que opós a sua congregação ao Estadoangolano.
A Igreja Maná tinha sido suspensa em 2008, por decisão do Ministério da Justiça e em seu lugar surgiu a Josafat, que realizava as suas  actividades em todas as instalações da Maná. Nove anos depois, os responsáveis da Maná anunciaram o encerramento da Josafat.
Por seu turno, a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, considerou que as igrejas desempenham um papel muito importante na socialização, com a sua expansão a nível das províncias, bem como na interacção junto das comunidades.
A governante fez esta consideração quando intervinha na reunião da comissão interministerial para o estudo, tratamento e implementação das medidas tendentes ao acompanhamento das questões religiosas em Angola.
Carolina Cerqueira deu especial destaque à expansão da fé e dos valores culturais, patrióticos e cívicos, jogando um papel fundamental entre a juventude para que seja socialmente útil no espírito da solidariedade e respeito com base na lei e na Constituição.
A ministra da Cultura realçou que a comissão reúne, pela primeira vez, nesta nova governação, e tem como objectivo fundamental fazer uma avaliação da situação em que se encontram as igrejas no país.
No encontro, segundo a ministra da Cultura, mereceu igualmente atenção a situação dos emigrantes que vêm para o país, pois, em seu entender, eles têm a sua cultura e, neste contexto, torna-se necessário trabalhar profundamente para que o tecido cultural angolano não seja beliscado por práticas ou comportamentos contrários aos costumes do povo.
Entretanto, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queirós, afirmou que há uma articulação perfeita entre o seu sector e o Ministério da Cultura no que se refere à gestão das questões religiosas.
Francisco Queirós fez questão de enaltecer a realização do encontro, a julgar pelo interesse das confissões religiosas existentes no país, dos seus adeptos, fiéis e do Estado angolano.

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