Religião

Rezar por alma de Jonas Savimbi não é mal nenhum – D. Belmiro Chissengueti

Há uma distinção metodológica entre política (aquela que implica a acção individual ou partidária com vista ao alcance do poder político e a sua manutenção ) e política (entendida como actividade cívica, que implica participação na vida política da cidade, do país, do bairro, mas, não visa o alcance o poder político).

O PAÍS É DE TODOS OS CIDADÃOS

D. Belmiro Chissengueti
D. Belmiro Chissengueti

Um sacerdote situa-se nesta segunda parte de entender a política não como luta pelo alcance do poder político, mas, como participação cívica responsável e responsabilizadora. Neste sentido, ele não faz campanha política para ninguém. Embora tenha as suas opções políticas, como qualquer outro cidadão, deve entender que o púlpito não é lugar de comício político, mas, de transmissão da palavra de Deus que deve iluminar a todos, a partir dele próprio.

Em função da sua condição, o sacerdote é, também, voz dos sem voz. Olha os acontecimentos humanos e naturais e exprime o seu ponto de vista iluminado pelo Evangelho, não se devendo calar quando há injustiças ou violações graves dos Direitos Humanos.

Criticar o desempenho de um governante ou de alguma instituição pública por não realizarem bem o seu trabalho é obrigação de qualquer cidadão e, inclusive, do sacerdote. Por isso é profeta por vocação e missão. E os políticos devem ouvir as vozes críticas como ocasião de melhorarem o seu desempenho. A Igreja, os sacerdotes, também devemos ouvir as vozes críticas para fazermos melhor o nosso trabalho.

Entretanto, os políticos desempenham uma função pública da qual devem prestar contas aos cidadãos que são donos do País e dos seus recursos. O país não é dos políticos! É de todos os seus cidadãos! É nosso!

A oração da Igreja não é selectiva! É para todos! Rezar por alma de Agostinho Neto, Jonas Savimbi, Holden Roberto ou Hitler é pedir ao Senhor, na fé, para que Deus os receba na sua glória. Não é mal nenhum. Deus fez-se homem por nós pecadores!

Portanto, quando estou doente, vou ao hospital e consulto um médico que pode ser doente! Mas, eu trato da minha saúde e ele deve tratar da dele. Para dizer que pode continuar a confessar e a comungar mesmo de um sacerdote ‘doente’! Da saúde dele, ele deve cuidar!”

D. Belmiro Chissengueti, Bispo de Cabinda.

Fonte: Facebook

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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