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Anemia falciforme mata 50% de crianças antes dos 5 anos

Mais de 50 por cento de crianças com anemia falciforme em Angola, de um universo de 12 mil, morrem antes dos cinco anos de idade, devido a problemas infecciosos ou anemia, agravados por falta de diagnóstico atempado que poderia evitar o índice de mortalidade, declarou a especialista em Saúde Pública.

Anemia falciforme mata 50% de crianças antes dos 5 anos
Anemia falciforme mata 50% de crianças antes dos 5 anos

Na África Subsaariana 300 mil crianças que nascem a cada dia estão afectadas pela doença, 12 mil dos quais 12 em Angola
Fotografia: Vigas da Purificação| Edições Novembro

Carlota Tati, que falava nu-ma palestra promovida pela Fundação Lwini, em parceria com o Ministério da Saúde, considerou a anemia falciforme um problema de saúde mundial, tendo em conta o elevado número de casos da doença que atingiu, particularmente na África Subsaariana, com 300 mil crianças afectadas que nascem a cada dia, dos quais 12 mil em Angola.

A responsável, que é também secretária provincial da Saúde em Cabinda, afirmou que, desde 2011, o Ministério da Saúde em colaboração com a Chevron e Baylor College of Medicine/Texas Children Hospital desenvolveram um programa piloto de rastreio neonatal, que inclui diagnóstico precoce, seguimento clínico e tratamento oportuno de pacientes com anemia falciforme.
No caso de Cabinda, disse, o programa teve início em Novembro de 2012 e expandiu-se pelos quatro municípios e, além do rastreio, incide também na investigação da doença e na sensibilização da população. A especialista em Saúde Pública informou que, desde o início do programa, foram realizados mais de 60 mil testes e mensalmente 1200 a 1500 recém-nascidos da província são testados.
Acrescentou que actualmente são acompanhados 1327 pacientes, que trimestralmente aparecem para controlo. “Com este programa, pretendemos realizar testes a todas as crianças recém-nascidas em todas as unidades sanitárias e também à juventude, sobretudo no período pré-marital para identificar o tipo de hemoglobina. Queremos que as pessoas tenham melhor conhecimento sobre a anemia falciforme, para se poderem prevenir e evitar o aumento de casos de anemia falciforme na província”, precisou. Para um melhor acompanhamento da doença, a secretária provincial da Saúde em Cabinda reconheceu que, para tal, é fundamental o treinamento dos profissionais da saúde para melhorar a capacidade de prevenção e de tratamento quanto às com- plicações desta enfermidade. “Vamos procurartransformar o consultório de anemia falciforme em centro de apoio desta doença. Queremos laboratório especializado no estudo das anemias. Portanto, são estas e outras necessidades que o programa prevê alcançar.”

Bons conselhos

A palestra realizada pela Fundação Lwini teve como tema “A nutrição na anemia de células falciformes”.
A palestra visou dar a conhecer aos pais e cuidadores de crianças com anemia falciforme os cuidados a terem com a nutrição dos portadores desta patologia, bem como as causas da doença. A palestrante Cláudia Halumbala qualificou crónica a doença e, ao mesmo tempo, genética que tem origem no casal portador de traço falciforme que transmite aos filhos.
Para ele, existe uma diferença entre a falciformação do portador do traço, que é assintomático, que não apresenta os sinais da doença e o falciforme positivo, que são aqueles que apresentam toda a sintomatologia da doença.
Para o também especialista em Nutrição, não existem alimentos específicos para doentes de células falciformes, tendo, por isso, aconselhado a alimentarem-se de tudo um pouco para beneficiarem de todos os nutrientes importantes para o ser humano. “É importante que pessoas com esta patologia consumam alimentos de maior teor de ácido fólico, de modo a ajudar a medula óssea na produção de novas células sanguíneas”, disse.
A coordenadora provincial do programa de Anemia Falciforme, Sónia Chimpanzo, disse que, apesar de a doença ser crónica, o risco de morte tende a diminuir pelo facto de agora existirem mais informações por parte dos profissionais de saúde sobre a doença.
Cláudia Halumbala, que também foi prelectora, qualificou a anemia falciforme uma doença crónica hereditária e, ao mesmo tempo, genética que tem origem no casal portador de traço falciforme que transmite aos filhos.

JA

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