Saúde

Falha no Hospital Geral atribuída ao empreiteiro

O director de Marketing da empresa CGCOC Group, Li Dong, uma companhia com operações em Angola, atribuiu os problemas estruturais que deram lugar à reconstrução do Hospital Geral de Luanda (HGL) em 2013, à irresponsabilidade do empreiteiro e não a questões que ponham em causa a tecnologia chinesa de construção civil.

Falha no Hospital Geral atribuída ao empreiteiro
Falha no Hospital Geral atribuída ao empreiteiro

Fissuras levaram à reconstrução do Hospital Geral de Luanda seis anos depois de concluído
Fotografia: Santos Pedro| Edições Novembro

Li Dong, que trabalhou em Angola durante oito anos, falava numa sessão da conferência internacional sobre a Nova Rota da Seda para académicos e jornalistas dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) que encerrou ontem em Pequim, iniciada a 7 deste mês.
Ao longo da conferência, empresários, académicos e jornalistas chineses afirmaram ter consciência da ideia disseminada em África e no Ocidente, segundo a qual os serviços prestados pelas companhias do país oriental são de pouca qualidade, propondo-se a melhorar a prestação nos contratos que, doravante, forem obtidos no continente.
De acordo com Li Dong, existe uma ideia generalizada de que as obras das empresas chinesas não têm qualidade, mas que não é de todo verdadeira, porque essa dificuldade coloca-se apenas nalgumas obras de determinadas empresas e tem a ver com o baixo custo e a falta de responsabilidade de alguns empresários chineses.
Li Dong deu o exemplo do Hospital Geral de Luanda que, pouco tempo depois de ser concluído, apresentou fissuras, declarando que o problema não é da falta de tecnologia, mas de falta de responsabilidade do empreiteiro que não fez um estudo adequado do terreno e não aprofundou as fundações do edifício.
Muitos empresários chineses não têm noção de que, quando celebram negócios com qualquer país no mundo, estão a representar a imagem da China naquele país, disse o director de Marketing da CGCOC Group, considerando ser necessário que os empreiteiros, os donos das obras e as equipas de fiscalização trabalhem juntos e de forma honesta para que qualquer obra seja executada nos termos estabelecidos nos contratos.
O HGL, recorde-se, foi edificado em 2006 pela Tianjin Machinery Import & Export Corporation e teve de ser reconstruído seis anos depois por problemas estruturais, sendo reinaugurado em 2015, após três meses de testes aos equipamentos chineses e de treino dos técnicos.

Além do financiamento

O jornalista da China Media Group, Guo Hao, criticou a forma como a imprensa daquele país reporta as questões sobre África, que focaliza a atenção nas infra-estruturas financiadas pela China, deixando outras perspectivas, como as relações humanas entre africanos e chineses. Guo Hoa disse que esta forma de cobertura transmite a ideia de que a China está a fazer o neocolonialismo em África, tal como alguns países ocidentais alegam. “Precisamos de mudar, é cansativo ouvir histórias só sobre infra-estruturas”, disse.
O jornalista Li Li, especializado em reportagens sobre os caminhos-de-ferro com financiamento chinês em África, disse que é preciso que os jornalistas estejam mais focados em assuntos muito concretos para facilitar o domínio das matérias a tratar e evitar o subjectivismo. Li Li sublinhou que, na verdade, a má qualidade das obras de algumas empresas chinesas é muito conhecida em África e que é preciso trabalhar-se em conjunto para se ultrapassar esta visão.
O jornalista e académico moçambicano Tomás Vieira afirmou que é preciso que a China saiba olhar para os africanos e nunca colocar no meio os países ocidentais quando se está a tratar de questões que dizem respeito somente ao continente.
Representantes africanos, realce-se, foram muito frontais na abordagem das questões relativas à cooperação da China com os PALOP, com destaque para o problema da fraca qualidade de algumas obras e a corrupção nos contratos celebrados com os governos.
Li Dong considerou que as empresas chinesas encontram várias dificuldades em África por falta de conhecimento da cultura, língua e legislação de muitos países e que muitos empresários e trabalhadores sofrem com isso, o que inclui assaltos e até assassinatos.

JA

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