Saúde

Hospital David Bernadino sem condições para o internamento

Ao passar pelo Banco de Urgência do Hospital Pediátrico David Bernardino salta à vista um aglomerado de crianças, umas ao colo das mães, outras correndo pelos corredores como se estivessem com uma saúde que lhes permitisse tal exercício.

Hospital David Bernadino sem condições para o internamento
Hospital David Bernadino sem condições para o internamento

Pura ilusão! Na sua maioria não terão passado bem a noite, o que motivou as mães a levá-las ao hospital. Outras apenas para consulta de rotina. O Banco de Urgência regista uma sobrelotação nos serviços de internamento e de consultas internas. Diariamente, o hospital atende cerca de 500 crianças.
No Banco de Urgência, há apenas seis enfermeiros para atender centenas de crianças. Os médicos também não são muitos: São apenas 14 para servir o hospital, necessitando de mais dez.
Cada doente com a sua patologia, uns mais graves que outros, mas cada um vai à procura da cura, que nem sempre encontra.
Os doentes internos são atendidos em condições desumanas. Só para se ter uma ideia, num só leito, com um metro de largura e 30 de comprimento, são colocadas três a quatro crianças, sujeitas a contrair outras doenças. As demais, e por falta de espaço, recebem assistência médica nos corredores, o que em nada ajuda para a melhoria dos pacientes.
Sandra Barros, 31 anos, de vestido de cor preta às riscas, cabelo meio solto e com um bebé de três anos ao colo, que parecia muito febril, não quis acreditar no que se estava a passar. Explica que, depois de ter passado pelo banco de urgência, recebeu a guia de internamento, tendo, posteriormente, se dirigido para a sala indicada.
A jovem não tinha sequer noção da situação. Na sala de internamento, não havia cama disponível e, como solução, teve que ficar sentada numa cadeira com o filho aos braços, enquanto este apanhava o primeiro balão de soro.
Antes de se dirigir ao Hospital Pediátrico, a jovem residente em Cacuaco passou por alguns postos de saúde do seu bairro, onde lhe foi informado da falta de reagentes para a realização de exames.
“Sinto dores nos braços e na região do torcicolo, porque há mais de 40 minutos que me encontro sentada na mesma posição, a ver o soro a jorrar aos pingos no braço esquerdo do meu filho. Não está a ser fácil, aliás, fazemos todo este sacrifício por ser nosso, mas não devia ser assim. A situação é extremamente dolorosa”, lamentou.
Isabela Carolina, 22 anos, mãe de um bebé de cinco anos, com problemas respiratórios graves, disse ter dado entrada no hospital na sexta-feira última, por volta das 7 horas, só foi atendida às 11h00 e está internada com a criança.
Ainda agitada com o estado de saúde do seu bebé que requer muitos cuidados, mesmo depois da secção de inalação de ar, Isabel prefere acalmar-se do susto que o filho lhe pregou, devido às febres intensas. Na sala, recebe apoio das enfermeiras em serviço. O filho reparte o leito com um outro paciente da mesma idade.
“Sinto-me aliviada por ter encontrado um espaço na sala, outras mães não tiveram a mesma sorte. Vejo-as expostas com os filhos nos corredores. É uma grande tristeza ver um hospital desta dimensão sem condições. A assistência em nada vale, porque as crianças são assistidas em situações completamente desumanas”, precisou.
A chefe do Banco de Urgência, Anastácia Carlos, assegura que, apesar da falta de técnicos para responder à procura, os poucos em serviço garantem o atendimento dos pacientes. “É possível dar suporte aos doentes mesmo neste espaço. Só está difícil manter o controlo, por serem apenas seis enfermeiros para mais de 500 crianças.”
O Hospital Pediátrico é a maior unidade sanitária do país e recebe crianças de vários pontos. O director do Hospital Pediátrico David Bernardino, Francisco Domingos, admite a sobrelotação e afirma que o atendimento está a ser dinamizado dada a falta dos quadros técnicos.
Francisco Domingos acredita na melhoria dos serviços, com a construção de um novo edifício. “Depois da visita do Presidente da República, efectuada este ano ao Hospital David Bernardino, houve um reforço orçamental e compra de equipamentos para as urgências e emergências que levou à melhoria do atendimento dos doentes críticos nesta unidade.”
Trata-se de um hospital que recebe verbas do Orçamento Geral do Estado e também vive de ajudas pontuais provenientes, sobretudo, de empresas petrolíferas, o que permite o aumento da assistência médica.
Nos últimos dez anos, o Hospital Pediátrico de Luanda tem beneficiado de muitos investimentos em termos de infra-estruturas, equipamentos hospitalares e formação dos quadros, por parte do Executivo e de algumas empresas privadas.
Os apoios têm ajudado na humanização e no atendimento dos pacientes, bem como na melhoria das condições de trabalho dos técnicos de saúde, de modo a proporcionar às crianças mais comodidade e conforto.
Francisco Domingos, que é médico pediatra, reconheceu que o hospital carece de espaço para consultas externas e mais leitos para internamento, UTI pediátrica e na sala de emergência. “A grande preocupação de momento está no Banco de Urgência, onde se regista diariamente uma sobrelotação.

JA

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