Saúde

Investimento na Saúde marca sector social

Luanda - Angola assinalou ganhos significativos nos domínios da saúde e educação, ao longo dos últimos 12 meses, marcados pela inauguração de várias infra-estruturas sanitárias e escolares, com realce para quatro centros de hemodiálise.

Apesar da crise económica e financeira que assola o país desde 2014, o Governo investiu em centros de referência que lhe permitiram poupar mais de metade dos 15 mil milhões de kwanzas gastos, anualmente, em pacientes com insuficiência renal.

Esse valor representa o equivalente a 10 por cento da verba do Orçamento Geral do Estado destinada para o sector da Saúde.

Dados oficiais indicam que o número de pacientes diagnosticados com insuficiência renal, em todo o território nacional, é superior a mil e 600.

Para reduzir o impacto dos gastos com esses doentes, o Executivo abriu, em 2019, quatro novos centros de hemodiálise: na província da Huíla (um), do Moxico (um) e de Luanda (dois), estes últimos instalados nos hospitais Pediátrico e Geral de Luanda.

O Estado prevê construir mais dois ou três centros de hemodiálise e o aumento de competências técnicas dos profissionais, para permitir o diagnóstico precoce e evitar que os pacientes cheguem aos serviços de atendimento em situação renal crónica e irreversível.

Outra “boa nova” registada em 2019, no domínio da Saúde, foi a promulgação da Lei Sobre o Transplante de Células, Tecidos e Órgãos Humanos, que passa a permitir a colheita de células, tecidos e órgãos de seres humanos, em vida ou depois da morte.

O diploma abre a oportunidade para os pacientes com falência de órgãos vitais realizarem operações de implantação de rim, fígado, córnea e medula óssea.

Dados do Governo apontam que o país, com quase 30 milhões de habitantes, tem mil e 621 doentes com necessidade de transplante, 65 por cento com menos de 40 anos.

Mas, na prática, a cifra pode ser maior, atendendo que vários pacientes vivem há muito tempo com problemas graves em órgãos vitais, sem conhecer o seu real estado clínico.

Com a entrada em vigor da Lei 20/19, o processo de transplante marca os primeiros passos no país, onde, apesar dos avanços políticos e jurídicos já conseguidos (aprovação da legislação), grande parte da população ainda desconhece as regras da transplantação.

A nova Lei aplica-se a todos os cidadãos nacionais, aos apátridas e aos estrangeiros residentes em Angola, na qualidade de dadores ou de beneficiários de transplante.

Mas nem tudo foram rosas em 2019, ano em que o país voltou a registar casos de pólio e de sarampo que resultaram, estes últimos, em pelos menos 11 mortos, na comuna de Capunda, município de Luquembo, província de Malanje.

As autoridades registaram pelo menos 49 casos de pólio, que obrigaram a realização de duas campanhas de reforço, com mais de 4.5 milhões de crianças menores de cinco anos abrangidas.

Educação

No domínio da educação, o ano foi marcado pela inauguração de novas salas de aulas, com destaque para as escolas da centralidade do Zango 5, que vão permitir o ingresso de mais de dois milhões de novos alunos no ano lectivo 2020.

Em 2019, foram matriculados no país 10 milhões 608 mil e 415 alunos no ensino geral.

Quanto ao ensino superior, fez eco a criação de 11 novos cursos para a formação de professores do ensino técnico-profissional, que conferem o grau de Bacharel, aprovados pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (Mescti).

Os cursos terão duração de três anos (2020-2021-2022), sendo que a Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto terá oito e a Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade José Eduardo dos Santos contará com três cursos.

Serão desenvolvidos com o apoio do Projecto RETFOP – Revitalização do Ensino Técnico e Formação Profissional, com o financiamento da União Europeia e apoio do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos Portugueses.

Ainda sobre o ensino superior, há a destacar o envio de 300 Licenciados/Mestres angolanos com elevado desempenho e mérito académico para algumas das melhores universidades do mundo, num projecto de iniciativa do Governo angolano.

Criminalidade

Entretanto, o ano de 2019 trouxe consigo alguns factos negativos, que abalaram o país, como o aumento de casos de criminalidade violenta.

Luanda foi o principal ponto de cometimento desses delitos, com registos de mais de uma dezena de casos, principalmente roubos seguidos de morte a saída dos bancos.

Ao todo, a capital do país registou 12.728 crimes no primeiro semestre deste ano, sendo os contra a propriedade os mais cometidos (cerca de 60 por cento).

Outro assunto que fez manchete no noticiário social, em 2019, foram as desavenças entre pastores e bispos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola.

No âmbito dessa desavença, surgiram denúncias de castração química e vasectomia supostamente orientadas pelos bispos brasileiros, situação que já está a ser investigada pela Procuradoria Geral da República (PGR).

A 28 de Novembro, um grupo de bispos e pastores anunciou a ruptura com o bispo Edir Macedo (líder da igreja), por alegadas práticas doutrinais contrárias à religião, como a exigência da prática a vasectomia, além da evasão de divisas para exterior do país.

Um comunicado assinado por mais de 300 bispos e pastores angolanos denunciou que, nos últimos 12 meses, a liderança brasileira, por orientação de Edir Macedo, passou a forçar os pastores angolanos a submeterem-se ao processo de vasectomia.

Em resposta, a direcção da Igreja Universal declarou que se trata de uma “rede de mentiras arquitectadas por ex-pastores desvinculados da instituição, por desvio moral, de condutas e até criminosas, com o único objectivo de terem a sua ganância saciada”.

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Bernardo Seculo

Jovem Empreendedor , Sonhador , Estudante Do Curso de Técnico De Informática, Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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