Sociedade

Angola: Um autêntico tabuleiro de distracções – Edy Lobo

Quando mais novo a matreirice era um dos meus nomes sociais. Sempre fui muito medroso e nunca gostei de confusão. Para defender-me de alguns mais velhos covardes que aproveitavam-se da minha estrutura física somali, tive de desenvolver uma teoria psicológica para sair em vantagens perante os brutamontes com pouca ou nenhuma capacidade de discernimento mental.

Fonte: Club-k.net 

Angola: Um autêntico tabuleiro de distracções - Edy Lobo
Angola: Um autêntico tabuleiro de distracções – Edy Lobo

Certa vez vi-me envolvido numa paixonite frívola por uma menina em que eu escrevia cartas mas ela nunca me respondia. Fiquei a saber mais tarde que ela tinha dificuldades em entender os meus gatafunhos. Por gostar muito dela senti-me na obrigação de fazer alguma coisa a mais do que mandar somente cartas. Eu era um ser revestido pela timidez, na mesma proporção que os apóstolos tinham quando caiu-lhes o espirito santo. Então combinei com um amigo. Pedi para que ele, nalgum momento singular, fosse demasiadamente bruto com ela, desrespeitando-a ao ponto de todos darem conta e eu chegar, com toda a minha argúcia predominante e diferir alguns golpes linguísticos contra o “energúmeno da vez”, defendendo a menina e assim aumentar o seu carinho por mim. Tal acto do falso heróico funcionou que nem na política.

O novo governo eleito em 2017 parece que trouxe laivos de esperanças para o povo angolano a partir do momento em que os golpes de vara e decisões arremessadas batiam certeiros nos costumeiros do poder. O povo angolano, fruto de algumas injustiças e porque as rifas das oportunidades de governação, a dança das cadeiras e outros métodos usados para seleccionar quem vai “servir” o povo, só eram dadas as mesmas pessoas. Eram os cérebros frescos a serem preteridos pelos de costume: políticos e cheios de vícios.

Então surgiu o “Exonerador Implacável” e o povo delirava de satisfação. Foram semanas e consequentemente, meses de alegria e vibrações cada vez que ouvíssemos que um fulano, mais tarde denominado por Marimbondo, fosse exonerado. Mas depois começou a cheirar a esturro. Para alguns cépticos parecia combina: “Epah deixa só borrar um pouco o teu nome e imagem na lama para alegrar um pouco o povo. O povo vai sorrir, vai festejar mas depois sais impune e continuas a viver a tua vida como se nada tivesses feito, com algum dinheiro que açambarcaste e serás absolvido”. Jogada de mestre em que só os mais atentos e menos emocionados vislumbraram.

Autarquias no tabuleiro de Xadrez e os peões da vez tentam distrair, mais uma vez a população: Começam a nos bater com a falta de água; depois oferecem uma água muito imprópria para consumo que se alterava a seu bel-prazer: ora vinha parecido com sumo de mukúa e outras vezes com características de bebida da palmeira: parecia o próprio maruvo que activa, não a bebedeira, mas a cólera e outras doenças.

 

O Povo se rebela enquanto os cavalos e bispos no tabuleiro vão trabalhando para deixar o Rei cómodo. Depois, por dias efémeros, surge a falta de combustível e gás de cozinha. É falta de coração tocar em assuntos que tiram o sono. A Telstar, que concorria na mesma semana com a preferência de voos por linhas aéreas estrangeiras, deram o golpe de Mestre sem esquecer o Juiz com parcas capacidades de leitura sentencial, como “bufavam” as pessoas nas redes sociais, ter absolvido um dos protagonistas do filme Tailandês de produção nacional.

Entre assuntos e assuntos, as Torres vão dando protecção ao Rei sem a necessidade imediata de chamar a Rainha, e a implementação das autarquias, ao que tudo indica, e porque alguma oposição política está atenta e fingem não se deixar ludibriar, terão lugar em 2020 nem que sejam no dia 30 de Dezembro.
Enquanto isso analisemos cada jogada com atenção.

Tags
Mostrar Mais

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button