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E OS ACTIVISTAS DAS LUNDAS?

“A Human Rights Watch (HRW) e a Amnistia Internacional, são duas organizações de defesa dos Direitos Humanos, mais respeitados do mundo a par do Alto Comissariado da ONU dos Direitos Humanos, com sede em Genebra, que em muitas ocasiões advertem com os seus veemente apelos às autoridades angolanas no que respeita as violações aos Direitos Humanos e os abusos de poder sobre activistas angolanos, mas na verdade esquecem de falar das atrocidades nas Lundas”, acusa o Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe.

E OS ACTIVISTAS DAS LUNDAS?
E OS ACTIVISTAS DAS LUNDAS?

Em comunicado, o Movimento diz que “os activistas políticos do Protectorado detidos numa manifestação publica e pacifica no dia 17 de Novembro de 2018, hoje completaram exactamente 6 meses ilegalmente, com falsas acusações de terem criado caos nas ruas de Saurimo, o que a media estatal, RNA e a TPA hábil nestas coisas, nunca mostraram imagens televisivas do tal referido vandalismo, dos assassinatos ocorridos na localidade de Calonda e dos abusos e atropelamentos da Policia Angolana no município de Lukapa, na Lunda Norte”.

“Os 11 activistas políticos do Protectorado Lunda Tchokwe presos na Lunda Sul, incluindo o casal Domingos Jamba e a sua esposa Domingas Fuliela, pais de 5 filhos menores de 15 anos, em que o menor de 5 anos desapareceu até à data presente, deveria ser motivo suficiente para que a Human Rights Watch e Amnistia Internacional, apelassem o governo angolano e investigassem as razões de porque estas pessoas continuam presas até hoje, passados mais de 181 dias”, diz o Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe.

Acrescentam que “a repressão dos activistas na Lunda Tchokwe, por parte das autoridades policiais do Governo Angolano, confunde-se com a Operação Transparência e Resgate, todas as semanas são deportados cidadãos desta região para a RDC, só porque o cidadão não fala bem o português é logo levado para um país desconhecido e, em muitos casos durante a viagem são simplesmente assassinados e lançados aos rios”.

“A HRW e a Amnistia Internacional, no passado já denunciaram no seus respectivos sites as repressões e prisões ilegais aos activistas políticos do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, porque hoje esqueceram estes cidadãos que a luz do artigo 47º da Constituição de Angola de 2010, reclamavam por direito natural a autonomia, nos termos da lei das manifestações, com cartas entregues ao Gabinete da Casa Civil do Presidente da Republica e do PGR com cópias aos Governos da Lunda Sul que assinou com antecedência de 60 dias as referidas comunicações, também em posse dos Advogados de Defesa da Associação Mãos Livres”, refere o comunicado.

Afirma o Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe que “a Lunda Tchokwe é a segunda economia, mais forte, onde o Governo de Angola retira mais de 90% de todos os diamantes que comercializa no mercado internacional, com grande impacto o Kimberlites de Catoca e Luaxe, sem esquecer o famoso vale do Cuango, Calonda, Cassanguidi, entre as varias localidade de extracção daquele minério mais valiosas, na realidade a situação é caótica do ponto de vista económico social e do desenvolvimento”.

“A situação da Lunda Tchokwe é complexa, a comunidade internacional tem a responsabilidade de apelar ao governo do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, para optar pelo diálogo, porque a mão-de-ferro sobre os territórios reclamados não vai resolver absolutamente nada, ao contrário vai agudizar a situação e provocar violência com prejuízos incalculáveis”, escreve o Movimento.

O comunicado do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe prossegue afirmando:

“O próprio Estatuto do MPLA, de que João Manuel Gonçalves Lourenço é o Presidente, adverte que, os angolanos optaram pela via armada porque os portugueses não queriam dialogar, não será tão difícil assim, o presidente reflectir o passado recente do seu Partido e o comportamento de Portugal entre 1950 à 1975.

A FRELIMO congénere do MPLA tinha chegado à conclusão de que não seria possível conseguir a independência de Moçambique sem uma guerra de libertação contra Portugal, foi isso que aconteceu entre 1966 à 1975, que o Presidente angolano como historiador deveria reflectir nestes acontecimentos das raízes históricas de Africa dos nossos tempos.

Também não será tão difícil o Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, reflectir sobre a guerra civil angolana, de que ele próprio em ocasiões assumiu o Ministério da Defesa, entre 1975 a 2002, que por falta de diálogo, por causa da mão-de-ferro, destruiu infra-estruturas, milhões de mortes para uma guerra inglória, biliões de dólares foram gastos, estradas e pontes destruídas, por causa desta mão-de-ferro, Angola caiu na corrupção, no nepotismo, na impunidade e na bajulação, elementos que não devem ser dissociados da questão de dialogar com a Lunda de hoje… Que o próprio presidente anunciou no Congresso de Setembro de 2018 em Luanda quando era eleito para ocupar o cargo máximo do MPLA.

A nova geração de jovens Lunda Tchokwe estão a escrever as páginas de ouro da nossa história, tal como o fizeram nacionalistas angolanos do processo 50, Fidel Castro em Cuba, Mahatma Ghandhi na Índia, Xanana Gusmão do Timor-leste, Louis Rwagasore que levou a independência do Burundi sem violência, Hendrik Witbooi da Namíbia contra a forte Alemanha colonial, Kwame Krumah, o Rei Haile Selassie da Etiópia, o lendário Sundiata Keita, a Rainha do Sabá Makeda ao ter abordado o Rei David, Patrice Lumumba no Congo Zaire, Nelson Mandela na Africa do Sul entre os vários Políticos, Escritores e homens de negócios do passado da nossa Africa, presos muitos deles pela tirania dos colonizadores dos seus países, nunca renunciaram aos seus sonhos de ver livres os seus povos, não será tão difícil assim o presidente João Manuel Gonçalves Lourenço reflectir sobre este passado de Africa.

Os valorosos 11 activistas presos arbitrariamente pela repressão e brutalidade policial do Governo Angolano, as torturas psicológicas há mais de 185 dias na cadeia de Luzia em Saurimo, o silencio da PGR, o próprio aprisionamento da Domingas Fuliela com o seu esposo Domingos Jamba, o abandono inesperado dos seus 5 rebentos que perderam o ano escolar 2019, coloca esta mulher Lunda Tchokwe, a heroína da emancipação da liberdade ao lado da Josina Machel de Moçambique, Siti Binti Saad da Africa Oriental, da Bayajida de Hauça da Nigéria e da Charlotte Maxeke mãe da Liberdade negra na Africa do Sul.

Esta grande heroína Domingas Fuliela, precisa com urgência do apoio da HRW, da Amnistia Internacional, da Friends of Angola, do Alto Comissariado da ONU dos Direitos Humanos e da Media de Portugal, França, Alemanha, USA, Bélgica, Reino Unido, de Angola e do Mundo inteiro para apela as autoridades angolanas a sua libertação.

Há violação aos direitos humanos na Lunda Tchokwe. Há activistas políticos presos há mais de 6 meses. O nosso vigoroso apelo a libertação urgente destes cidadãos, que a manifestação está consagrada na Constituição, a reivindicação do Direito Natural sobre os Protectorados não constitui crime… é um direito merecido e divino.

Na semana que terminou, o contingente militar e repressivo da Policia Nacional, foi aumentado a nível de Calonda, Cassanguidi, Cafunfo e Cuango e ao mesmo tempo, o regime esta a recrutar espiões filhos naturais para tentar contrariar a reivindicação por via de criação de falsas Associações para servir os desígnios ocupacionista com pessoas fieis a repressão.

A HRW, Amnistia Internacional, Friends of Angola a investigar com profundidade as atrocidades praticadas pelas autoridades contra as populações e forçar o governo de Angola a mudar com urgência os seus métodos e posições de actuação fascistas em relação à Nação Lunda Tchokwe.

Nada mudou na Lunda Tchokwe, o povo comenta, o comportamento do regime angolano é pior do que do colono Europeu, a descolonização significava a criação de um modelo novo de cultura do respeito pela dignidade humana, nunca se viu mortes indiscriminados desta forma aos de hoje praticados pelo governo angolano, o colono angolano é pior do que o Europeu, estão a delapidar as nossas riquezas sem deixar nada para as próximas gerações nem para as presente.

Do palácio Presidencial da cidade Alta em Luanda, não há sinal de que o Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, esteja com a vontade politica de Dialogar abertamente com transparência, o processo da “Questão Lunda Tchokwe 1885-1975/2019”, ao contrario temos recebido recados de que o senhor Presidente esta agastado com os Lundas, aos quais chamam de estarem a dividir o pais e que o lugar destes é na cadeia, estas mesmas informações temos recebido nos Comandos Policiais e nas Unidades Penitenciários, de que a questão é da responsabilidade exclusiva do Presidente ou seja a libertação dos Activistas na Lunda depende da vontade pessoal do Presidente.

O diálogo sobre Autonomia Lunda Tchokwe é também da vontade Politica do Presidente, que não esta a dar sinal nenhum, as promessas eleitorais de dialogar com a sociedade civil não passou de um imbuíste político para distrair os menos atentos e mera demagogia em busca do populismo, porque dos ovos da cobra não nascem galinhas ou lagartixas.“

Fonte: Jornal Folha 8

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