Fiéis da Diocese de Viana sufocados pela acção de taxistas e vendedores

A entrada da Sé Catedral da Diocese de Viana, quer pelo norte, quer pelo sul, há muito que foi tomada de “assalto” por taxistas. O espaço passou a ser o local preferencial dos “azul e branco”, o que se reflecte negativamente na paz de espírito que os fiéis buscam na “casa de Deus”, para amenizar o sufoco da vida.

Fiéis da Diocese de Viana sufocados pela acção de taxistas e vendedores
Fiéis da Diocese de Viana sufocados pela acção de taxistas e vendedores

Taxistas e zungueiras impedem os fiéis de celebrarem a missa e perturbam a paz espiritual, face o barulho incómodo num local sagrado que é a “casa de Deus”
Fotografia: DR

Ao redor, ouve-se a todo o instante o roncar dos motores e de buzinas de um número sem conta de táxis. De um lado, Asa Branca, Cuca e 1º de Maio; do outro, Benfica, Kicolo e Zango. Enfim, nada trava a balbúrdia. A isto, associa-se o incómodo engarrafamento e um mercado informal que surgiu do nada.
“Está difícil a celebração de missa sob um barulho infernal”, lamenta Manuel António, um dos fiéis, que diz encontrar sérias dificuldades para assistir a uma missa na paróquia.
“É triste observarmos este cenário. Temos dificuldades até de entrar no interior da igreja. Os dois portões foram tomados pelos taxistas.”
A esta voz, junta-se a de Maria de Lourdes, outra fiel católica, que considera absurda a decisão de colocar-se o término de táxis, justamente, coladinho ao muro da igreja, quando há outros espaços que melhor poderiam servir esta actividade.
“Penso ser um atentado contra a igreja, um local sagrado onde as pessoas buscam a paz de espírito.”

Zungueiras e lotadores entram no “barulho”

O ruído que rompe o silêncio que os fiéis buscam também vem das zungueiras, que decidiram fixar o seu negócio no mesmo espaço. Comercializam de tudo um pouco. “Chega mano, temos magoga e sumo de múcua a estalar. Também temos sopa bem quentinha”, diz uma das vendedoras a um jovem que pretendia seguir viagem num dos táxis.
Pelo número de pessoas à volta, a magoga pareceu ser dos “pitéus” mais concorridos. Mas havia outros atractivos que saltavam à vista: bifes, isca com cebola, peixe frito, bombô com ginguba, yogurte e gelados. Basta accionar e, em pouco tempo, o cliente tem em mãos o que quer. Salta à vista a eficiência e a forma como as vendedoras lidam com os clientes. Nem os grandes restaurantes na capital e em outros pontos conseguem facilmente atrair os seus fregueses e tratá-los como deve ser. Aí, é tudo diferente. A convivência é pacífica.
Os agentes da Polícia patrulham a área e impõem a ordem. E, quando assim acontece, as zungueiras fogem para o quintalão da igreja, a única escapatória, provavelmente, a mais segura para refúgio. Os amigos do alheio também são outro problema. Há vários. Ao subir no táxi, corre-se o risco de ser assaltado. Os telemóveis e pastas de documentos são os preferenciais para os larápios.
“Já fui assaltado por um grupo de jovens. Pensei que fossem apanhar o táxi, mas enganei-me. Quando dei por mim, fiquei sem o telemóvel”, conta um jovem. Relatos semelhantes são vários. Uns levados ao conhecimento da Polícia, outros, provavelmente, não constam do boletim de ocorrência da corporação.
“Presenciámos assaltos e as acções dos taxistas que acabam por fechar a entrada da igreja, ao ponto de termos de pedir favor para entrar”, lamenta o padre Queirós Figueira, da Diocese de Viana.
Enquanto dialogávamos, do lado de fora, ouvia-se, com insistência, a voz dos lotadores de táxis, que quase rompia o espaço em que nos encontrávamos. Por conta disso, obrigaram-nos a uma relativa pausa. Segundos depois, o padre continuou:
“Já contactámos o administrador municipal. Também falámos com o governador provincial, Sérgio Luther Rescova. Este terá orientado a administração para tomar medidas. De lá para cá, já se passaram dois meses e nada foi feito”, conta, visivelmente desapontado, o pároco.
Diante desta situação, o padre Queirós Figueira diz que se sente impotente e lembra que a igreja sempre colaborou com as autoridades, que devem manter a ordem e a tranquilidade. Mas, infelizmente, nota-se um certo desinteresse por parte do novo administrador em dar solução ao assunto.
“Julgamos e entendemos haver má-fé. Não sabemos se é por motivo religioso, mas a verdade é que não encontramos correspondência que tanto gostaríamos. Houve mais sintonia com os antigos administradores”, afirma, recordando que se trata de uma Sé Catedral de Viana, que conta com muitos fiéis, mas depara-se com este problema.

JA

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