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Jornal de Angola ironiza a propósito da falta de combustíveis

O Jornal de Angola, o mais importante diário angolano, interroga-se, ironicamente, na sua edição desta terça-feira, a propósito da carência de combustíveis no mercado interno, se o país estará perante sanções internacionais.

Jornal de Angola ironiza a propósito da falta de combustíveis
Jornal de Angola ironiza a propósito da falta de combustíveis

FALTA DE COMBUSTÍVEL PROVOCA ENCHENTES NOS POSTOS DE ABASTECIMENTO

FOTO: PEDRO PARENTE

“A crise de distribuição de derivados de petróleo, associada à exiguidade de dólares (…), parece claramente dar a ideia de que Angola se encontra sob sanções que inviabilizam a normal circulação da referida moeda no mercado angolano ou, fundamentalmente, nas transacções com o exterior”, escreve o JA, em editorial.

Pela segunda vez, num espaço de apenas cerca de 30 dias, Angola vive, desde a última quinta-feira, sérias carências de distribuição de combustíveis, em todo o país, mas, sobretudo, na capital, Luanda, a cidade angolana mais populosa.

O JA sublinha, no seu editorial, que, “tratando-se de uma situação previsível, a escassez de combustíveis, não se compreende de maneira absolutamente nenhuma que as entidades directamente responsáveis pela aquisição e distribuição dos derivados de petróleo não tenham um plano que inviabilize situações como esta”.

No seu editorial, o JA critica a “comunicação tardia” e “pouco convincente” da Sonangol Distribuidora em relação a ocorrências idênticas.

“Sobre a alegada falta de divisas que inviabiliza a eventual aquisição de derivados de petróleo em tempo útil, além de não convencer, por se tratar de uma situação vigente há algum tempo, leva a outros questionamentos relacionados com o sector bancário”, escreve, ainda o JA.

Ainda em relação ao assunto, o Presidente da República recebe, esta terça-feira, um “relatório detalhado” sobre a situação, no seguimento de um encontro realizado no Palácio Presidencial, segunda-feira, que visou dar “explicações precisas” sobre a crítica situação.

O encontro contou com a participação ministros dos Recursos Minerais e Petróleos, da Energia e Águas, e das Finanças, bem como o governador do Banco Nacional de Angola e o presidente do Conselho de Administração da companhia petrolífera angolana Sonangol, entidades encarregues de produzir do relatório.

A companhia petrolífera angolana Sonangol justificou, sábado último, a escassez de combustíveis nos principais postos de abastecimento do país com um alegado difícil acesso às divisas para a importação de refinados de petróleo.

O Estado  angolano,   através da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), desembolsou, no primeiro trimestre de 2019,   um valor bruto  na  ordem dos 221  milhões 434 mil e 672  dólares  norte-americanos,   com a importação  de 397 mil  e 458  toneladas métricas  de petróleo.

Num comunicado tornado público em Luanda, a companhia apontou outro  factor negativo, este relacionado  com  a “elevada  dívida” dos principais  clientes  do segmento  industrial,   que  consomem  aproximadamente 40 porcento  da totalidade do combustível.

As avarias  sistemáticas  nos  navios  de cabotagem, segundo a petrolífera, concorrem também para a carência, além de outros factores, como o estado técnico das estradas nacionais, assim como as condições atmosféricas, que, em determinados períodos, dificultam a atracação dos navios de transporte dos refinados de petróleo.

Com uma produção de pouco mais de um milhão e meio de barris diários de petróleo bruto, Angola ocupa o segundo lugar na África sub-sahariana, depois da Nigéria, que entra com um milhão e setecentos mil barris diários.

Angola importa 80 porcento de produtos refinados, sendo que apenas 20 porcento das suas necessidades são de produção nacional, processados na Refinaria de Luanda, cuja capacidade se resume em 65 mil barris diários.

Para garantir o aumento da capacidade de produção interna de combustíveis, está em curso um projecto de construção das refinarias do Lobito, com capacidade para processar 200 mil barris/dia e a de Cabinda, com capacidade de 60 mil barris diários.

Quanto à Refinaria de Luanda, está em curso um programa para a sua modernização e ampliação, a cargo da Eni, multinacional italiana, com vista a aumentar a sua capacidade de processamento para mil e 200 toneladas de combustíveis por dia, dentro de três anos, contra as actuais 280 toneladas/dia (330 metros cúbicos).

Angop

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