Sociedade

Jovens pedem a João Lourenço acções concretas para os problemas sociais

O Presidente da República, João Lourenço, recebeu ontem, em Luanda, um grupo de representantes das diversas plataformas juvenis da sociedade civil e de partidos políticos para abordar alguns dos problemas mais gritantes que os aflige, com realce para a questão do desemprego, a falta de habitação e dificuldades no acesso à formação profissional.

Jovens pedem a João Lourenço acções concretas para os problemas sociais
Jovens pedem a João Lourenço acções concretas para os problemas sociais

Jovens realçaram abertura demonstrada pelo Presidente João Lourenço durante o encontro
Fotografia: Francisco Bernardo

Durante o encontro, de-corrido no Palácio Presidencial da Cidade Alta, os jovens, numa composição de 11, pediram acções concretas, céleres e urgentes, face aos problemas que os atingem, mas recomendam soluções sustentáveis.
O presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), António Tingão, disse, à saída do encontro, que as questões da juventude são transversais e que foram levantadas porque têm “estrangulado” a vida dos jovens. Neste particular, António Tingão realçou questões ligadas à forma-
ção académica, a mobilida-de estudantil, o acesso ao material didáctico e estágios profissionais.
O líder do CNJ lembrou que a juventude tem alguma palavra a dizer em muitos aspectos, principalmente com a criação do Plano de Acção para a Promoção da Empregabilidade (PAPE). “Saímos do encontro com uma sensação muito boa. Houve uma abertura muito grande da parte do Presidente da República relativamente à abordagem das questões que preocupam os jovens e deixou em aberto a possibilidade de, sempre que precisarmos, fazermos uma comunicação para interagir com ele de forma directa”, contou António Tingão.
O secretário nacional da JFNLA, Kiaku Kiala, sublinhou que, durante o encontro com o Chefe de Estado, apresentaram preocupações que têm a ver com a falta de habitação, desemprego e insuficiências na educação.
“Saímos do Palácio Presidencial satisfeitos, pois fizemos entender as recomendações da juventude, principalmente nas zonas suburbanas, onde, como líder juvenil, tenho captado as principais preocupações da juventude da periferia”, disse Kiaku Kiala, que pede soluções sustentáveis aos problemas da juventude.
O líder da juventude da FNLA disse esperar que todas as questões apresentadas ao Chefe de Estado venham a reflectir, na prática, o desejo dos jovens, para que se sintam partícipes na construção de uma nova Angola.

JURA contra o 14 de Abril

Já o secretário-geral da JURA, Agostinho Kamuango, disse ter levado ao Palácio Presidencial preocupações de âmbito político, económico e social, fundamentalmente o “tema fracturante” sobre o Dia da Juventude Angolana.
Face ao quadro, o Presidente da República recomendou que seja encontrada uma data concreta e consensual que possa ser aprovada, contou Agostinho Kamuango.
“O dia que celebramos como sendo da juventude angolana não corresponde ao que representa a vontade de toda a juventude. Nós não nos revemos no 14 de Abril”, disse o líder juvenil da UNITA, referindo-se à data em que morreu, em combate (em 1968), o comandante José Mendes de Carvalho “Hoji ya Henda” e em que se comemora o Dia da Juventude Angolana. Para Agostinho Kamuango, Hoji ya Henda é o patrono da JMPLA, razão pela qual não reúne o consenso de toda a juventude.
O secretário-geral da JURA sugeriu a criação de uma Lei sobre as Políticas Juvenis do Estado e disse esperar que o Ministério da Juventude e Desportos seja capaz de despoletar o mecanismo para que esse diploma exista. A par desta questão, a JURA apresentou questões ligadas ao desemprego, bolsas de estudo e a necessidade de uma maior participação da juventude na vida pública.
“O Presidente da República tomou boa nota. Esperamos que os próximos dias venham a revelar que se está a fazer alguma coisa em prol da juventude”, disse.

JMPLA refuta JURA

Nuno Caldas Albino “Carnaval”, que representou a JMPLA no encontro, contrariou a posição do secretário-geral da JURA relativamente ao 14 de Abril como Dia da Juventude Angolana.
Carnaval lembrou que o CNJ, de que a UNITA é membro, tinha realizado uma assembleia-geral na qual participaram todos. Cerca de 90 por cento terá optado pelo 14 de Abril como o Dia da Juventude Angolana, por entender que Hoji ya Henda foi um jovem que se integrou no movimento de libertação para a conquista de um bem maior: a liberdade de todo o povo angolano.
O consenso, disse, também foi justificado com o facto de a efeméride ser no mesmo mês em que se comemora o Dia da Paz e Reconciliação Nacional (4 de Abril), “um bem inalienável do povo angolano, depois da Independência Nacional”.
Sobre o encontro com o Presidente, realçou que João Lourenço mostrou que conta com os jovens para a solução dos seus problemas. Referiu que este facto impõe à juventude uma maior responsabilidade e engajamento.

JA

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