Sociedade

Lobito reduz número de crianças a deambular pelas ruas

Lobito - Das 55 crianças e adolescentes identificadas a viver nas ruas do Lobito, em Benguela, pelo Instituto Nacional da Criança (INAC), apenas sete continuam a deambular pela cidade, apesar dos riscos de contágio pelo novo coronavírus, constatou a Angop.

Falando à Angop, a representante do INAC no município do Lobito, Maria Serviço, relatou a existência de três focos de crianças em contexto de rua, com idades entre os sete e 17 anos, espalhados pela cidade ferro-portuária, a maioria delas vem dos bairros da Zona Alta.

Maria Serviço recorda que, antes da pandemia da covid-19, só o foco de crianças sem-abrigo no mangal do Lobito concentrava 32 menores, de ambos os sexos, que actuavam como pescadores, lavadores e guardadores de carros, incluindo transportadores de bens diversos na via pública.

De acordo com a responsável, a maioria das crianças já se encontra no seio familiar, graças ao trabalho de sensibilização envolvendo o INAC, a Administração Municipal do Lobito e a Polícia Nacional, dada a medida de recolhimento social para evitar a propagação do novo coronavírus.

Visto que boa parte das crianças em causa faz parte das 64 famílias desfavorecidas, reassentadas na zona conhecida como Kilamba, no bairro da Caponte, a fonte adiantou que a Administração Municipal do Lobito entregou já cestas básicas aos seus progenitores, para desestimular o regresso dos menores à via pública.

Enquanto isto, no foco da praia da Restinga ainda estão sete crianças identificadas e acompanhadas pelo INAC e que, no entanto, continuam a rejeitar o regresso a casa, entre as quais dois irmãos da Zona Alta e outros três meninos que tinha fugido de casa, na cidade de Benguela.

Por outro lado, Maria Serviço denuncia a existência de mais de 50 crianças submetidas à exploração infantil nas ruas pelos próprios pais, que as mandam vender hortaliças, legumes e frutas, sem o uso de máscaras para protecção contra a covid-19, já que mantêm contacto directo com vários clientes.

Também considera que a mendicidade praticada nas ruas pelos menores é só o reflexo das dificuldades das famílias, sobretudo nesta fase do estado de emergência, por isso sublinha a necessidade de um centro de acolhimento de crianças vulneráveis para melhor protecção.

Fome e violência levam crianças à rua

À Angop, o adolescente Abel Macuva, 14 anos, contou estar a vender legumes nas ruas do Lobito para ajudar a mãe, por sinal, uma vendedora ambulante, nas despesas da humilde família de sete irmãos, residente no bairro São João, periferia da cidade do Lobito.

Embora admita sentir medo de contrair o coronavírus, Abel confessa que sente preguiça de usar sua máscara artesanal (de pano) antes de sair de casa, de manhã cedo, à procura de clientes na baixa da cidade.

Em contexto diferente está Rufino Fernando, da mesma idade, que há mais de um ano trocou a casa, no bairro Santa Cruz, pelas ruas da cidade, onde sobrevive lavando carros ou recorrendo à mendicidade.

Amparado por Dilson, 12 anos, e Jorge, nove anos, outros meninos de rua, Rufino aponta para as escadas de um prédio que lhe servem de cama à noite e admite só ter saído de casa por causa dos maus-tratos por parte da madrasta.

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Bernardo Seculo

Jovem Empreendedor , Sonhador , Estudante Do Curso de Técnico De Informática, Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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