Mais de 100 mil pessoas por reintegrar na sociedade

O Executivo angolano tem por reintegrar na vida social activa, até 2022, um total de 104 mil cidadãos, entre ex-militares, viúvas e órfãos dos desmobilizados dos acordos de Bicesse, Lusaka e Memorandos de entendimento do Luena e Namibe.

Mais de 100 mil pessoas por reintegrar na sociedade
Mais de 100 mil pessoas por reintegrar na sociedade

Ex-militares organizados em cooperativas implementam vários projectos económicos
Fotografia: Benjamin Cândido | Edições Novembro | Lunda-Norte

A informação foi prestada ontem à imprensa, no Dondo, pelo director-geral do Instituto de Reintegração Social dos Ex-Militares (IRSEM), Domingos Tchikanha, à margem do segundo Conselho Consultivo do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher.
Domingos Tchikanha indicou que os projectos para a reinserção social de ex-militares, viúvas e órfãos dos desmobilizados estão avaliados em 39 mil milhões de kwanzas. Caso haja verba financeira suficiente, disse, os visados vão ser integrados em projectos ligados à Agricultura, Pesca Continental, Serralharia, Alvenaria, Comércio Precário e Sapataria.
O director-geral do IRSEM revelou que, desde os Acordos de Bicesse, em 1991, o Estado angolano já reintegrou 241.000 desmobilizados, mas, ultimamente, devido à crise financeira, o processo tem conhecido vários retrocessos. Para se ter uma ideia do que disse, Domingos Tchikanha indicou que as acções desenvolvidas pelo IRSEM durante o ano passado foram apenas na ordem dos dez por cento.
Em 2018, o Estado angolano pretendia a inclusão social de 11.000 desmobilizados, mas a falta de dinheiro possibilitou apenas a insereção social de 752 ex-militares em diversos projectos, orçados em 600 milhões de kwanzas, revelou.
Domingos Tchikanha lamentou que os projectos e outros negócios criados para os ex-militares tenham dado apenas para o sustento das suas famílias. Apontou a criação de parcerias estratégicas com outros sectores econômicos, como fator crucial para o desenvolvimento do espírito cooperativo entre os empreenderes, como forma de aumentar os níveis de venda e rendimentos financeiros dos envolvidos.
No entender do director-geral do IRSEM, a ausência da cultura de associativismo no seio de alguns ex-militares tem sido o motivo de estrangulamento de muitos projectos.
Domingos Tchikanha afirmou que o IRSEM controla, em todo o país, mais de 100 cooperativas destinadas ao desenvolvimento da prática da Agricultura, Corte e Costura, Carpintaria, Alvenaria, Serralharia, dentre outros.
Domingos Tchikanha informou que, recentemente, foram inauguradas, no município do Bocoio, em Benguela, duas novas cooperativas para o desenvolvimento da acção de mototáxi. A decisão do Estado em incluir desmobilizados em vários projectos ligados ao Programa Nacional de Combate à Pobreza está a ser considerada pelo IRSEM como uma “lufada de ar fresco”, pelo facto de garantir a inserção de vários cidadãos que há já algum tempo aguardam por uma oportunidade de vida.

Lei da acessibilidade
A directora de comunicação institucional e imprensa do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Rita Cacongo, revelou que o departamento do Executivo tem constatado melhorias na situação da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência física, facto que, em seu entender, revela o respeito pela Lei das Acessibilidades.
Entretanto, Rita Cacongo defendeu um acompanhamento direccionado em relação à questão da acessibilidade da pessoa com deficiência a nível das infra-estruturas, quer institucionais ou rodoviárias.
Rita Cacongo revelou que as actividades do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, durante o ano passado, foram executadas em 90 por cento, principalmente as ligadas à promoção socioeconômica das famílias e promoção das mulheres aos cargos de chefia e liderança.
O segundo Conselho Consultivo do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher iniciou na segunda-feira, no Dondo, e decorreu sob o lema “Acção Social: Um compromisso com a Nação”.

JA

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