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Marcolino Moco e a corda-bamba

Marcolino Moco e a corda-bamba

Marcolino Moco e a corda-bamba
Marcolino Moco e a corda-bamba

Oantigo primeiro-ministro Marcolino Moco defendeu ontem, em Luanda, que o actual chefe de Estado de Angola “tem de começar a ser ele próprio” e “não um homem virado para o que se fez antes”. Para o que de fez antes? Não seria mais correcto dizer: Para o que ele também ajudou a fazer antes?

Em declarações à agência Lusa, Marcolino Moco, chefe do Governo (quando esse cargo ainda existia) entre Dezembro de 1992 e Junho de 1996, comentava também o discurso de abertura do Grande Líder no 7º Congresso Extraordinário do MPLA.

“Foi uma intervenção à sua imagem, um pouco mais consentânea com um novo rumo que ele tem de dar ao Estado, depois daquele momento inicial de transição do seu antecessor [o ex-Presidente de Angola e do MPLA José Eduardo dos Santos] para ele próprio”, sublinhou.

Para Marcolino Moco, que foi também o primeiro secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) entre 1996 e 2000, o combate à corrupção preconizado por João Lourenço desde que assumiu a Presidência angolana, em Setembro de 2017, deve ser mantido.

“No meu conceito, João Lourenço tem de começar a ser ele próprio e não um homem virado para o que se fez antes. Mesmo nessa ideia virada para o combate à corrupção eu começo a dizer que é suficiente, mas é preciso tocar o país para frente. A Procuradoria-Geral da República está a dar um tratamento mais pragmático aos problemas de Angola, sobretudo no crime económico”, explicitou.

“Espero que este novo voo se prolongue e que também permita terminar essa imagem do que foi decidido entre o antigo e o novo Presidente”, acrescentou.

Marcolino Moco, advogado galardoado por João Lourenço (pela submissão e bajulação que lhe demonstrou) com o prémio de administrador não executivo da petrolífera estatal Sonangol, voltou a assumir que o seu passado “crítico” à governação de Eduardo dos Santos (1979/2017) nada tem a ver com o presente, pelo que se torna necessário “consolidar a passagem” do poder, que deve continuar a “ser tranquila, virada para o futuro e não para o passado”.

Na intervenção, João Lourenço começou por manifestar o “imenso” desejo de ter no conclave a presença do antigo líder do partido, José Eduardo dos Santos, que “ao longo de 39 anos conduziu o MPLA nos momentos bons e maus”, sendo hoje o presidente emérito do partido.

Questionado sobre se a referência a Eduardo dos Santos foi uma mera “cortesia” de João Lourenço, Marcolino Moco considerou-a antes “ambígua”.

“Foi ambígua. Gostaria que o Presidente fosse mais clarificador. O presidente emérito não está no congresso. E depois? Por estar doente? Por ter recusado? Acho que um dos problemas que o MPLA sofre é os seus líderes não serem expressos. Em política temos de ser expressos, esclarecer as coisas”, respondeu Marcolino Moco, que afirmou não conhecer nenhum dos 134 novos membros do Comité Central (que passou a contar com 497 integrantes), sinal do rejuvenescimento do partido.

Folha 8 com Lusa

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