Medo em Angola já não existe

Em Angola respira-se muito melhor e o medo deslocalizou-se, afirmou o escritor José Eduardo Agualusa, em entrevista ao Jornal de Angola, a ser publicada na edição impressa da próxima segunda-feira (1 de Abril).

Fonte: JA

Medo em Angola já não existe

“Aqueles que tinham medo, que era o conjunto da sociedade civil, deixou de o ter. O medo passou para o partido no poder. Quem hoje vive com medo são os militantes históricos, os que ainda não sabem bem o que é que vai acontecer”.

O escritor, chamado a comentar a transição política em Angola, salientou que a presidência de João Lourenço conseguiu apaziguar o conjunto da sociedade civil. “Parece que estamos a caminho de uma democracia mais sólida, mais completa”, disse.

Dentro do MPLA, as pessoas que estiveram ligadas a “práticas ilícitas de enriquecimento rápido” estão assustadas, afirmou, sublinhando que a sociedade, no seu conjunto, tem o dever de apoiar João Lourenço no que diz respeito ao combate à corrupção.”É preciso apoiar o presidente neste combate”.

O escritor confessou-se surpreendido com a coragem política e a capacidade de articulação do Presidente da República, cuja acção, entretanto, está a registar avanços mas também recuos, como a recente libertação de Zenu e a saída do país de Jean-Claude Bastos de Morais.

“Onde fica a justiça, aos olhos de um povo tão martirizado, a quem essa acção, concretamente, prejudicou, porque foram milhões de dólares retirados do país, quando poderiam ser utilizados para amenizar a situação da população, que é má? Onde fica a justiça nesse processo? Esse homem sai livremente e não lhe vai acontecer nada? Como é que explicamos aos nossos filhos que há uma justiça?”, disse.

O escritor, que actualmente vive na Ilha de Moçambique, apresenta na quarta-feira (3 de Abril), no Elinga-Teatro, com moderação do tradutor alemão Michael Kegler, o seu romance “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários”, lançado há cerca de dois anos em Portugal.

No sábado (7 de Abril), o escritor trava uma conversa pública, no Elinga-Teatro, com Mia Couto e Michael Kegler, sobre a Literatura Africana de Língua Portuguesa e sua recepção na Europa. Na terça-feira (2 de Abril), faz-se presente num workshop sobre escrita criativa, na Universidade Lusíada. No dia 7 de Abril (sábado), participa numa roda de leitura para crianças e famílias no quintal da LAC – Luanda Antena Comercial.

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