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“Não era bem assim” sonho do fundador de Angola, diz viúva

“Não era bem assim, mas pronto. Há sempre espinhos no caminho. Vamos lá agora voltar outra vez ao início, vamos abrir o caminho de novo”, disse Maria Eugénia Neto, à margem da comemoração do “Dia do Fundador da Nação e do Herói Nacional”, questionada sobre se a Angola atual é igual àquela com que Agostinho Neto sonhou.

"Não era bem assim" sonho do fundador de Angola, diz viúva
“Não era bem assim” sonho do fundador de Angola, diz viúva

A iniciativa, promovida pela embaixada de Angola em Lisboa, assinala o aniversário do primeiro Presidente angolano, António Agostinho Neto, que nasceu em 17 de setembro de 1922, em Kaxicane, município do Icolo e Bengo, e morreu em Moscovo em 10 de setembro de 1979.

A viúva de Agostinho Neto disse à Lusa que, “até agora”, tem confiança no novo Presidente angolano, João Lourenço, e que “espera” que o novo poder em Luanda coloque o país no caminho sonhado pelos seus fundadores.

“Espero que sim, temos todos que ajudá-lo. Sozinho, ele não pode fazer tudo. Já disse isto mais do que uma vez e estou disposta, desde que veja realmente que as palavras são verdadeiras, e eu acho que são… Vamos todos ajudar”, acrescentou.

Maria Eugénia Neto, 85 anos, presidente da Fundação António Agostinho Neto, diz que lutou ao longo dos últimos 40 anos contra o apagamento da memória do seu marido e que “agora” começa a ver os resultados dessa luta.

“Não foi esquecido porque eu não deixei, [eu e] os amigos de Agostinho Neto, aqueles que compreendemos o que ele significava para o mundo de então, e mesmo para o de agora e no futuro. Não deixámos, trabalhámos sempre. E agora estamos, realmente, a colher esses frutos”, disse.

Exemplo disso, notou, surge do aparecimento da “sua imagem em muitos lados”, bem como do “seu pensamento”, dos “seus poemas” e dos “seus textos”, apesar de haver “muito trabalho” por fazer nesse “resgate”.

“Ainda há muita gente que não o entende. É preciso fazer entendê-lo, por todos. Por isso, é preciso ler a sua obra e pensarmos naquilo que está escrito e na época em que foi escrito”, frisou.

Para a viúva do médico, escritor e político angolano é preciso desenvolver trabalhos que permitam “fixar cada vez mais por todo o lado”, especialmente em África, a figura de um “homem que deu tudo e não recebeu nada em troca”.

“Morreu pobre, nem sequer teve tempo para fazer uma casa para a família. É preciso pôr a claro a sua personalidade, o seu amor ao povo de Angola, ao povo de África”, afirmou Maria Eugénia Neto, que assinou, na semana passada, com a Faculdade de Letras do Porto a constituição da cátedra António Agostinho Neto, para entrar em funcionamento “brevemente”.

O embaixador de Angola em Lisboa, Carlos Alberto Fonseca, sublinhou que “Agostinho Neto é o poeta maior da angolanidade” e isso é “tão marcante quanto o seu percurso político”.

“Dirigiu a luta de libertação nacional de Angola, foi o primeiro Presidente de Angola e fundador da nação angolana. Todo o seu trabalho e toda a sua vida estão presentes naquilo que Angola é hoje”, reforçou.

Em resposta à questão sobre se a Angola de hoje traduz a ideia para o país do seu fundador, o diplomata afirmou: “A ideia é um sonho que se concretiza todos os dias. Do sonho à realidade há todo um processo grande para a sua concretização”.

“Nós temos ainda grandes desafios: a luta contra a pobreza, a luta pela realização do mais importante anseio dos angolanos e de cada ser humano, que é, naturalmente, o do desenvolvimento”, apontou.

O embaixador angolano sublinhou também a importância da criação da cátedra Agostinho Neto na Faculdade de Letras do Porto, considerando que, “com a literatura de um país, estuda-se também a personalidade de um povo”.

“Não se pode conhecer o povo angolano sem se conhecer, sem se estudar, Agostinho Neto”, concluiu.

Fonte: Lusa

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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