Sociedade

OVO DE ISABEL DESTRONARÁ O MÍTICO OVO DE COLOMBO!

O novo Presidente do Conselho de administração da Sonangol, Carlos Saturnino, comprometeu-se hoje a “utilizar, reactivar e actualizar” as regras e estatutos do grupo, para que as estratégias voltem a ser amplamente discutidas na petrolífera estatal angolana. Em Dezembro de 2016, José Eduardo dos Santos dizia que era preciso instituir a “cultura do mérito”.

Carlos Saturnino falava aos jornalistas no final da cerimónia em que o Presidente de Angola, João Lourenço, conferiu posse ao secretário de Estado dos Petróleos, Paulino Jerónimo, e à administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol).

“Há um momento diferente na indústria petrolífera nacional, mas também internacional, de maneira que todos esses ingredientes fazem parte da base que nós vamos utilizar para esmiuçar qual vai ser o trabalho no curto, no médio e no longo prazo”, disse Carlos Saturnino, que substitui no cargo Isabel dos Santos, exonerada, na quarta-feira, por João Lourenço.

Sobre a relação com as operadoras do sector, Carlos Saturnino não esteve com meias medidas e, um dia depois da saída de Isabel dos Santos, garantia que “já está a melhorar”, acrescentando que nos próximos tempos vai ser repensado o negócio de hidrocarbonetos de Angola, o posicionamento da Sonangol, a sua relação com as companhias internacionais e com as subsidiárias.

“Ou seja, hoje estamos a criar as bases para redesenhar, não só o grupo Sonangol, mas também o negócio mesmo no país”, disse o responsável, sublinhando que a orientação do chefe de Estado angolano, para que as empresas públicas sejam eficientes e lucrativas, vai ser posta em prática.

“Os negócios que não se enquadrarem nessa filosofia, nesta estratégia, naturalmente, farão parte da revisão, mas isso a breve trecho estaremos em condições de informar”, disse.

O Presidente angolano, João Lourenço, pediu aos novos administradores da Sonangol, que “cuidem bem” da concessionária estatal petrolífera, por ser a “galinha dos ovos de ouro” de Angola. Finalmente, pensamos, o país compreendeu que a mulher mais rica de África, a multimilionária Isabel dos Santos, tinha razão quando, ainda criança, começou a vender ovos nas ruas de Luanda…

Menos de 24 horas depois de a Casa Civil do Presidente da República ter anunciado a exoneração do Conselho de Administração da Sonangol, o chefe de Estado deu hoje posse à nova equipa da petrolífera estatal, que passa a ser liderada por Carlos Saturnino.

“Continue a ser, para a nossa economia, a galinha dos ovos de ouro. Eis a razão por que fazemos este apelo, para que cuidem bem dela”, disse João Lourenço, na cerimónia realizada no Palácio de Presidencial, em Luanda.

19 de Dezembro de 2016. José Eduardo dos Santos disse que era necessário, 41 anos depois de independência e ao fim de 37 anos da sua presidência unipessoal, instituir a “cultura do mérito”. Nesse dia o Folha 8 perguntava se ele não deveria dar os dois maiores exemplos que Angola tem nessa matéria. Os seus filhos Isabel dos Santos e José Filomeno de Sousa dos Santos.

Foi então que, no dia seguinte, Isabel dos Santos respondeu em vez do paizinho. Na sua qualidade, entre muitas outras, de Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, empresa do regime, Isabel dos Santos exonerou a comissão executiva da empresa petrolífera responsável pela pesquisa e produção de petróleo, passando ela própria a assumir – ora tomem! – essas funções.

Justificação? Simples. Isabel dos Santos detectou “desvios financeiros”. Ora, isso é coisa inaceitável num regime que é um dos mais corruptos do mundo. Não propriamente devido à corrupção mas, antes, porque os “desvios financeiros” não estavam a ser feitos para o sítio certo. Ou seja, para a corte de sua majestade o rei José Eduardo dos Santos.

E como ninguém brinca com a princesa herdeira, foi exonerado o presidente da comissão executiva da Sonangol Pesquisa & Produção, Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira e restantes elementos.

“A Sonangol P&P é a empresa do grupo Sonangol que durante a avaliação efectuada apresentou as maiores debilidades de gestão e consequentemente de desvios financeiros”, refere o comunicado da até quarta-feira carismática, divina e impoluta Isabel dos Santos.

Até então administradora não executiva – além de presidente do Conselho de Administração do grupo -, Isabel dos Santos foi “indicada” (escolhida, nomeada, imposta) para o cargo de presidente da comissão executiva da Sonangol Pesquisa & Produção, além dos vogais Edson Santos, Sarju Raikundalia, Bernardo Domingos e Carlos Cardoso.

“Esta decisão está alinhada com a postura do novo conselho de administração da petrolífera, de ser consequente com os princípios de rigor e transparência que baseiam a sua gestão”, explicou a Sonangol.

Ora aí está. José Eduardo dos Santos finalmente tinha encontrado alguém capaz de dar corpo, alma e dólares à sua tese de apostar no primado do mérito. Compreende-se a dificuldade que era descobrir num tão curto universo de angolanos capazes. Ainda bem, contudo, que sua majestade tinha mais filhos…

A empresa Sonangol Pesquisa & Produção é uma subsidiária do grupo liderado por Isabel dos Santos desde Junho de 2016, no âmbito do processo de reestruturação da petrolífera do regime, tendo como objectivo a prospecção, pesquisa e produção de hidrocarbonetos líquidos e gasosos. A operar desde 1994, tem hoje uma produção de 46.000 barris por dia.

A empresa é parceira em vários blocos em Angola, Brasil, Cuba e Iraque, segundo informação do grupo Sonangol.

Eterna dívida à santa… Isabel

Opaís continuava distraído, anestesiado e o MPLA “dopado” com as estratégias do seu líder, José Eduardo dos Santos. Estratégia para nomear a sua filha, Isabel dos Santos, por alegada competência (MPLA dos 5 milhões de membros, que diz possuir, não tem outras inteligências…), enquanto ente-privada (assessorada, por duas sociedades estrangeiras, a consultora portuguesa de advogados Vieira de Almeida e Associados e a americana Boston Consulting Group), para dispor de documentação de empresas e órgãos públicos, muita classificada de soberana, com poder de “destruir” tudo que seja comprometedor ao longevo consulado de 38 anos de poder ininterrupto.

A coordenação e comando dos três bilionários projectos públicos, avaliados em mais de 150 mil milhões de dólares (cento e cinquenta biliões):

1- Plano Director Geral Metropolitano (PDGM) de Luanda, com objecto de replanear e requalificar Luanda;

2 – Reestruturação da Sonangol, que já foi a maior empresa pública;

3 – Comissão de Reajustamento da Organização do Sector dos Petróleos, são apenas um “faits divers”, para distrair a navegação geral, pese a indignação que causa.

O objectivo não é o publicitado de reorganização, melhor, até carecem, mas enquanto entidades empresariais e organismos públicos, sob suspeição de má gestão, o lógico, numa República e num Estado de Direito seria a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, uma sindicância do Tribunal de Contas ou investigação do Ministério Público, para apuramento de responsabilidades, de eventuais desvios financeiros ou gestão dolosa, com incidência criminal.

Mas não. Afasta-se o público, elege-se o privado, com amplos poderes, para a colocação de um tampão, no “pipeline” da Sonangol e afins, que alimentou, anos a fio, a corrupção familiar e selectiva, através de um eficiente “escoamento” de receitas dos cofres públicos, para contas privadas, cujas pistas serão, principescamente, “deletadas”.

E o descaso é geral, por amordaçamento e inoperância dos órgãos republicanos do Estado, convertidos na mais caboucada ditadura militarizada..

Angola identifica-se com uma ditadura, onde todos os poderes do Estado estão concentrados num homem só, num grupo de pessoas dele dependentes e num partido.

Ditadura mostra ainda mais as garras

José Eduardo dos Santos agiu igual a um ditador, gerindo os fundos públicos como propriedade privada, não admitindo oposição à sua gestão, caso de manifestações, contestações políticas, acções de agentes da sociedade civil ou da imprensa democrática, não se coibindo de recorrer ao exército pessoal, a polícia partidarizada e aos tribunais domesticados, com brutalidade e severidade, que descamba em prisões arbitrárias, julgamentos injustos e assassinatos selectivos.

A democracia foi fictícia com um “teatro de fantoches” onde as acções da oposição se confundem, muitas vezes, a exercícios de cosmética, pois, ingenuamente, acreditam que através do voto, mudarão o actual sistema, que gere, exclusivamente, com o beneplácito da comunidade internacional, untada com o peso do petróleo, uma máquina eleitoral enferrujada e calcinada, na fraude e batota monárquica.

Nos regimes democráticos, o poder é dividido entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, já na ditadura, não há essa divisão, ficam todos os poderes apenas num único homem, que não se coibiu de afectar, discricionariamente, mais de 150 mil milhões de dólares do Estado, portanto, de todos angolanos (a maioria sem um dólar, para um prato de pirão), à filha bilionária.

Uma filha, que violando a Constituição e a lei, com o concurso de estrangeiros, se apossou de documentos confidenciais de empresas públicas, para apagar a entrega de terrenos e dinheiro, casos dos prédios do Eixo Viário, afectos à FESA, sem contrapartida (casinos, demonstrando uma apetência aos jogos da batota), da construção do Santos Futebol Clube, erguidos com suporte da Sonangol, tal como, as sedes central, provinciais, municipais e comunais do MPLA, bem como as múltiplas empresas, como a GEFI, a Emogestin, entre outras…

É preciso apagar, também, as astronómicas somas transferidas, para suporte das campanhas eleitorais, do partido no poder, avaliadas, segundo fontes internas, a mais de 50 mil milhões de dólares.

Ademais, com a coordenação do Plano Metropolitano, Isabel dos Santos e os consultores estrangeiros apagarão, o rasto dos milhões e da propriedade pública da actual clínica; Luanda Medical Center, um projecto liderado pelo secretário-geral do MPLA, Julião Mateus Paulo Dino Matross, a casa pessoal do cidadão José Eduardo dos Santos, no Miramar, que originou a destruição de um centro emissor da televisão pública, as fazendas, propriedades agrícolas, a sede da fundação Lwini, na vila Alice, os terrenos na Chicala, Ilha de Luanda, Talatona, Funda, Catete e ainda os milhões aplicados no projecto Kilamba, pagos a peso de ouro a Pierre Falcone, entre outros. Acrescendo-se o desvio, inconstitucional e ilegal, que beneficia, o partido no poder, ao longo de 42 anos, de cerca de USD 2,00 (dois dólares), por barril de petróleo exportado.

Estes e outros crimes financeiros, passíveis de procedimento criminal, necessitavam deste borrão, para nunca se chegar, ao rasto, também, dos milhões saídos da Mercury, empresa de comunicações da Sonangol, para a UNITEL, criada com fundos públicos e entregue de bandeja a Isabel dos Santos ou ainda as suas participações no BFA, ZAP, MEO, BNI, entre outros.

Igualmente, os vestígios da proveniência do dinheiro do grande saco azul, que permite, calar os dirigentes do MPLA, do governo e muitos da oposição, bem como alimentar a corrupção e, nisso, nada melhor, que a filha, mas não uma filha qualquer, tinha de ser a de “sangue soviético”, por insensibilidade ao sofrimento da maioria dos angolanos, para tão hercúlea empreitada.

Seguramente, este comportamento não é de um Presidente da República, que sabe, poderia, ao abrigo da própria “constituição jessiana”, art.º 127.º, ser julgado e condenado, por crimes de “suborno, traição à pátria e hediondos (assassinatos de Hilbert Ganga, Alves Cassule, Isaías Kamulingue, massacre de Monte Sumi), imprescritíveis e insusceptíveis de amnistia”, que o levariam a condenação, “no exercício das suas funções” a uma pena de prisão de 10 a 20 anos.

Assim, enquanto a maioria dos políticos da oposição e intelectuais se distrai, em comentários triviais, quanto à escolha da princesa Isabel para a coordenação de três importantes e bilionários projectos, sem concurso público, ela, como ente-privada, escancara com exclusividade as portas e cofres, recolhendo documentos oficiais do Estado, comprometedores ao regime, para, destruir uns e apagar as pistas de outros, quanto a afectação de móveis, imóveis e milhões e milhões de dólares públicos, que tornou, segundo as ONG’s nacionais e internacionais, Eduardo dos Santos, Manuel Vicente, Manuel Helder Vieira Dias Kopelipa, Dino dos Santos (Kero, Pumangol, aviação, minas de diamantes, de petróleo, etc.), os filhos, familiares, assessores e partido no poder, bilionários e milionários com base nos cofres do erário público, numa descarada privatização partidocrata do Estado, que se tornou num panelaço da corrupção.

A maestria desta estratégia inteligente para apagar as provas de uma das mais importantes fontes de saída de dinheiro: a Sonangol e os Petróleos, indiciou a percepção, por parte de José Eduardo dos Santos, da irreversibilidade da descida natural ao precipício não só da idade, bem como a eventual chegada de organismos financeiros internacionais, que para a libertação de capitais, exigirão uma auditoria as contas públicas. Nessa hora, tudo estará limpo. Limpinho e nos relatórios internacionais constará uma imaculada (??) gestão das finanças do Estado.

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