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Preço do dólar nas ruas de Luanda segue em queda ligeira desde as eleições

O preço para comprar um dólar nas ruas de Luanda voltou a descer ligeiramente na última semana, uma tendência que se regista desde as eleições gerais angolanas de 23 de agosto, sendo hoje já transacionado a 370 kwanzas (1,89 euros).

O custo de cada dólar norte-americano no mercado paralelo rondava, antes das eleições, os 390 a 400 kwanzas (cerca de dois euros), acima do dobro da taxa de câmbio oficial definida pelo Banco Nacional de Angola (BNA), há um ano e meio fixa nos 166 kwanzas (85 cêntimos de euro).

Numa ronda realizada hoje pela Lusa foi possível encontrar em Luanda cada dólar a ser vendido entre os 370 e os 375 kwanzas em bairros de referência da capital, como Mártires de Kifangondo, Mutamba, Maculusso ou São Paulo, uma nova desvalorização, ligeira, face à semana anterior.

O último pico na cotação de rua, ilegal, mas também indicativa para vários setores de atividade, registou-se em junho, quando cada dólar chegou aos 400 kwanzas (2,05 euros), tendo descido nas semanas seguintes.

Estes valores na cotação informal contrastam com o pico deste ano, de 500 kwanzas (2,60 euros) por cada dólar, registado nos primeiros dias de janeiro.

Angola realizou eleições gerais a 23 de agosto, que culminaram com a vitória (61%) do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que garantiu a maioria qualificada no parlamento e a eleição de João Lourenço como novo Presidente da República e que já tomou posse a 26 de setembro.

Atualmente, mantêm-se as limitações no acesso a divisas nos bancos, inclusive nas contas em moeda estrangeira, situação que torna a venda paralela, para muitos nacionais e estrangeiros, a única forma de aceder a dólares ou euros em Angola.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira e económica decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, tendo desvalorizado o kwanza, face ao dólar, em 23,4% em 2015 e mais 18,4% ainda no primeiro semestre de 2016.

A atividade das ‘kinguilas’ – como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas – foi condenada em abril pelo governador do BNA, que advogou o seu fim.

“Não podemos ter, no nosso país, determinadas ruas que definem a referência do preço, onde se vendem dólares ou euros. Não podemos ter este nível de fluxo financeiro no mercado informal, que tem um grande impacto sobre o sistema financeiro”, justificou Valter Filipe.

As taxas de rua já estiveram próximas dos 600 kwanzas por cada dólar em agosto e julho do ano passado, depois de máximos de 630 kwanzas em junho, face à falta de dólares nos bancos.

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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