Sociedade

Professores contratados em 2018 à “deriva” – Carla de Sousa

Numa altura em que alguns professores admitidos no concurso de 2018 ainda estão à deriva por falta de guias e informações das suas possíveis transferências, o Ministério da Educação já anunciou um novo concurso para Julho deste ano.

Fonte: Club-k.net

Como se sabe, o concurso público 2018 foi organizado de forma a que os candidatos concorressem nos municípios em que residem. Esta medida mais que justa foi aplaudida pelos concorrentes pois evitar-se-ão gastos excessivos, bem como o desgaste físico e emocional causado pela distância entre o local de residência e o local de trabalho.

A dois meses do início do ano lectivo de 2019, para espanto e desilusão de muitos, alguns candidatos andam de município em município à procura das guias, tudo porque deixou-se de cumprir com o princípio inicialmente estabelecido. Professores que concorreram por exemplo no município de Viana estão a ser transferidos para a Quiçama e vice-versa. Ou uma jovem em tenra idade, que se tinha candidatado para Belas, ser transferida para uma aldeia do interior de Icolo e Bengo. E tudo isso sem um aviso prévio e sem se saber se há concordância dos recém admitidos para essa mudança de planos de última hora.

A verdade é que esta medida veio complicar o processo de enquadramento, uma vez que os candidatos foram seleccionados segundo as necessidades dos municípios, que antes do concurso apresentaram ao Gabinete Provincial da Educação um mapa de necessidades por ciclos e disciplinas.

O que está a acontecer é que, com estas transferências, alguns dos novos professores estão a ver frustradas as suas expectativas também tendo que optar por disciplina pela qual não concorreram. Por exemplo, como é possível alguém que concorreu para educação física ser desviado para ministrar sociologia?

Outro ponto que está a causar problemas é que, por força do Decreto Presidencial nº. 160/18, de 18 de Julho, que estipula 24 tempos semanais para o I ciclo, II ciclo do Ensino Secundário Geral e Técnico Profissional e Pedagógico, o número de vagas antes previsto sofreu uma redução, deixando alguns professores como excedentários.

Por força desta situação, a alguns professores do I Ciclo está a ser proposto o enquadramento no Ensino Primário e a outros do II ciclo propõe-se a mudança para o I ciclo. Uma confusão de todo o tamanho, na desordem que é e continua a ser o sector da Educação.

Com tudo isso, resta-nos questionar o seguinte:

1- Uma vez terminado o processo de selecção e assinatura dos contratos, não seria possível cada município emitir as guias dos seus candidatos?

2- Não seria sensato fixar as listas nas Direcções municipais, para evitar-se enchentes no Gabinete Provincial e as buscas individuais noutros municípios?

3- É desta forma que queremos corrigir o que está mal?

Por um país melhor, vamos respeitar e dignificar os professores desde a sua contratação.

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