SaúdeSociedade

Psicóloga defende políticas para idosos

A criação de políticas públicas que garantem a integração de idosos na sociedade e tornar as leis de defesa dos direitos dessas pessoas vulneráveis mais exequíveis, permitem uma maior valorização destes no regaste dos valores das famílias, disse, ontem, em Luanda, a psicóloga Marilena Gambôa Laureano.

Psicóloga defende políticas para idosos
Psicóloga defende políticas para idosos

Muitos idosos são abandonados em lares por familiares
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Para assistente da secretaria da Casa Civil do Presidente da República, as políticas públicas devem estar voltadas não só para a protecção social, mas também para a valorização humana do idoso.

“Existem lares de acolhimento para a Terceira Idade no país, e o Ministério da Acção Social Família e Promoção da Mulher olha por uma questão de protecção ao idoso, mas precisamos desenvolver o capital humano que o idoso tem”.
Para Marilena Laureano, a partir do Ministério da Educação pode-se fazer a inclusão da abordagem do idoso, como da mulher nos currículos e com o Ministério da Juventude e Desportos, propor debates e seminários para fazermos uma passagem geracional de informação de valores aos jovens.
Também com a participação da sociedade em geral, organizações civis e voluntariado, deve-se realizar pequenas feiras para potencializar o que os avôs foram no seu tempo, mostrando que podem ser úteis em algumas áreas públicas, onde podem servir de conselheiros, uma acção significativa para a moralização da sociedade.
Em Angola, o avô não granjeia o status que deve ter, tendo pouca valorização, uma vez que na nossa sociedade bantu, as famílias são alargadas e a vizinha idosa também é considerada nossa avó e exercem papel de auxiliadores, pois criam os netos.
A psicóloga disse que ao invés de considerados, são acusados de feiticeiros, sofrem agressões, muitos não têm assistência médica, nem alimentação.
Marilena Gambôa, que falava durante um encontro de reflexão sobre o tema “Os avós e a sua influência na educação dos membros da família”, em alusão ao 15 de Maio, Dia Mundial da Família, disse que os avós transmitem segurança, valores, crenças, conhecimentos e tradições aos netos, são conselheiros e contribuem para o desenvolvimento emocional e espiritual da família.
Os idosos têm mais experiência e a sua abordagem permite que a geração actual seja capaz de reflectir o que nós vivemos neste momento, com a desestruturação das famílias e consequente resgate de valores, tendo a juventude um papel crucial, caso essa passagem de testemunho seja bem feita.
Emília de Almeida, presidente da Associação de Amizade e Solidariedade para com a Terceira Idade, a organizadora do evento, deplora o facto de existirem famílias que não respeitam os idosos, abandonando-os à sua própria sorte nos lares e nas ruas.
“Infelizmente nos dias de hoje assiste-se no nosso país a uma desestruturação familiar, o que tem levado à perda de valores e outros males que enfermam as famílias e a sociedade.
Para Emília de Almeida é urgente que medidas pertinentes e encorajadoras sejam reforçadas de forma a salvaguardar os princípios que sempre nortearam a condução e harmonização da família.
Armando Zagi, 65 anos, ensina artesanato e diz que é muito difícil ser uma pessoa da 3ª idade, e compreende esta situação baseando numa passagem bíblica. “Os tempos estão difíceis porque alguns filhos não têm amor aos próprios pais”.

JA

Tags
Mostrar Mais

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button