Sociedade

Trabalhadores da segurança privada exigem salários em atraso

Lobito - Mais de 170 trabalhadores do ramo da segurança privada da empresa Seguraze, a maioria vigilantes, na província de Benguela, estão, desde Fevereiro deste ano, sem receber seus salários, fixado em 29 mil e 100 kwanzas o mínimo, apurou hoje a ANGOP.

Estes vigilantes, afectos à Seguraze, com sede em Luanda, e que protegem, desde 2016, as instalações da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), em Benguela, queixam-se de estarem a passar fome em casa, dadas as dificuldades para comprar comida, desde que os ordenados deixaram de ser pagos.

Em declarações hoje à Angop, o representante da Comissão Sindical dos Trabalhadores da Seguraze em Benguela, Daniel Jomboloca, denuncia que, além dos três meses de salários em atraso, os agentes de segurança privada também estão, há 16 meses, sem auferir os subsídios de alimentação, no valor de nove mil kwanzas acordados com a entidade patronal.

Apesar da falta de salários e de subsídios, incluindo quatro de Natal e de férias, Daniel Jomboloca afirma que os trabalhadores do sector da segurança privada continuam nos postos de vigilância 24 horas por dia, uma situação que tem acarretado sérios prejuízos à sua saúde, pois alimentam-se só de “pão seco com chã”.

O também primeiro secretário desta comissão sindical acrescentou, por outro lado, que o não pagamento de salários em tempo útil por parte da Seguraze já se arrasta desde 2016 e continua a agravar-se, sobretudo, devido às alegadas dívidas da ENDE àquela empresa prestadora de serviços de segurança.

Aquele sindicalista considera inadmissível que vigilantes privados que garantem a segurança diária de uma empresa pública, da dimensão da ENDE, estejam mergulhados neste momento na penúria, por falta de salários.

Em face da situação, Daniel Jomboloca ressalta a expectativa de uma resolução favorável a contento dos funcionários, mas afasta, por enquanto, a possibilidade de uma greve, devido ao facto de o Decreto Presidencial sobre o Estado de Emergência ter suspendido este direito.

Já o director operativo da Seguraze, Francisco Adão, contactado pela Angop via telefónica, a partir de Luanda, contesta a posição do sindicato em Benguela de levar este assunto à imprensa, mas admite que a empresa está a contactar o seu cliente para que faça o pagamento e, desta forma, resolver a situação salarial dos trabalhadores.

Francisco Adão rejeita o que chama de pressão do sindicato, já que, a seu ver, em Benguela, há mais empresas do ramo de segurança com dificuldades idênticas. Por isso, aconselha os vigilantes que reivindicam seus direitos “em hasta pública” que assinem sua carta de rescisão do contrato que a empresa irá pagar.

Ao todo, mais de mil trabalhadores da Seguraze estão afectados com o atraso salarial em doze das 18 províncias do país.

Tags
Mostrar Mais

Bernardo Seculo

Jovem Empreendedor , Sonhador , Estudante Do Curso de Técnico De Informática, Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button