Tecnologia e Ciência

Tarifas de Telefone e Internet em Angola superiores à média regional

Apesar da forte desvalorização do kwanza desde 2016, que resultou numa aproximação inédita aos preços da região Austral, o mercado nacional de telefonia móvel e Internet continua a cobrar valores acima da média.

Tarifas de Telefone e Internet em Angola superiores à média regional
Tarifas de Telefone e Internet em Angola superiores à média regional

Fotografia: DR

Tendo como base os cálculos disponibilizados pela página da Internet “How much” (um agregador de dados financeiros e monetários baseado nos EUA), o preço médio de um gigabyte de telecomunicações, em Angola, está fixado nos 7,95 dólares (cerca de 2 547 kwanzas).
A mesma unidade tem um custo médio de 14,3 dólares (4579 kwanzas) se analisarmos um conjunto de dez países da região – África do Sul, Namíbia, Zâmbia, Botswana, Zimbabwe, Moçambique, Congo Brazzaville, República Democrática do Congo (RDC), Angola e Maurícia.
No entanto, se retirarmos o Zimbabwe da lista comparativa (aquele país tem o custo médio de telecomunicações mais elevado do mundo, com 75,2 dólares por gigabyte), o preço médio regional do serviço em análise desce para 7,62 dólares (2 440 kwanzas), cerca de 100 kwanzas abaixo da referência para Angola.
Todos os países analisados contam com três ou mais provedores de telecomunicações e apenas a Namíbia, o Botswana e Moçambique apresentam tarifários médios acima do que se pratica em Angola. Em sentido contrário, a RDC, a Zâmbia e as Ilhas Maurícias são os campeões dos preços baixos.
Dentro do mesmo grupo de nações, quando analisados os dados do Produto Interno Bruto (PIB – toda a riqueza anual produzida no país) por habitante, Angola surge na quinta posição com 4 100 dólares (cerca de 1,3 milhões de kwanzas), logo depois das Ilhas Maurícias (11 286 dólares), Botswana (7 585), África do Sul (61 82) e Namíbia (5 593).

Mercado por explorar
Segundo dados divulgados em Março pelo Instituto Angolano das Comunicações (INACOM), regulador do sector, Angola detém 13 milhões de utilizadores de telemóveis (para uma população de cerca de 30 milhões de habitantes em 2019), mais de 170 mil utilizadores da rede telefónica fixa, quase seis milhões de clientes do serviço de Internet e 1,928 milhões de subscritores de canais de televisão por assinatura. Em Outubro de 2018, José Carvalho da Rocha disse que estamos perante uma “elevada taxa de cobertura” a nível das telecomunicações, mas que “ainda não é a desejada”, pelo que, observou na altura, decorrem trabalhos pelo país para a melhoria e extensão das infra-estruturas.
“Estamos a construir as infra-estruturas. Por essa razão é que assistimos a um número crescente de utilizadores. Agora temos de continuar a trabalhar com os operadores para cobrirmos o país inteiro com uma infra-estrutura forte”, disse.
A viabilidade de um terceiro e quarto operadores de telecomunicações sempre foi motivo de debate. A Unitel e a Movicel defendem que não há mercado para novos concorrentes, enquanto alguns especialistas, utilizadores e conhecedores do sector defendem mais competição e um ambiente de negócios que propicie melhores serviços e preços ajustados ao poder de compra da maioria dos cidadãos.
Nos últimos dias, em declarações ao semanário “Valor Económico”, Isabel dos Santos (que vai deixar a liderança da Unitel durante o mês de Maio) garante que as “tarifas baixas” são uma das principais razões para as operadoras internacionais “não se interessarem pelo mercado angolano”.
“A tarifa da Unitel é a mais baixa da SADC, cerca de 30 kwanzas para o primeiro minuto e dez para os minutos a seguir. Estamos a falar de oito e três cêntimos de dólar, respectivamente”, defendeu a empresária.
A Unitel detém uma quota de mercado de 80 por cento. Os restantes 30 por cento estão nas mãos da Movicel.

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