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UNITEL NA BANCA MÓVEL PORQUE LIDERAR É SERVIR

O administrador da Unitel, Miguel Geraldes, afirmou hoje que a operadora móvel angolana está interessada “em explorar” a possibilidade de entrar no negócio da banca móvel que considerou ter “grande impacto” na recuperação económica.

UNITEL NA BANCA MÓVEL PORQUE LIDERAR É SERVIR
UNITEL NA BANCA MÓVEL PORQUE LIDERAR É SERVIR

Em declarações à Lusa à margem de uma conferência, em Lisboa, sobre desenvolvimento económico em África, Miguel Geraldes, nomeado director-geral da empresa em Maio, destacou que a entrada da banca móvel (‘mobile money’) em África tem ajudado as economias locais e beneficiado os bancos, considerando que “o ‘mobile money’ é essencial para as economias em choques económicos”.

As próprias entidades angolanas, acrescentou, “demonstraram um grande interesse” em que a Unitel encontrasse uma solução.

Além disso, a população angolana é “bastante jovem, o que significa que vai estar também ligados à Internet”, sublinhou o gestor. “É uma imensa oportunidade para nós e temos infra-estrutura para o fazer”, reforçou.

Miguel Geraldes afirmou que a Unitel, que viu as suas receitas reduzirem-se 50% em três anos, enfrenta grandes desafios, tal como Angola, que sofreu “um impacto” pesado devido à sua grande dependência do petróleo e está em fase de reestruturação económica.

Além disso, atravessa igualmente um processo de transformação politica que “também impacta na economia” e que é desafiante para as empresas.

O responsável da Unitel realçou, no entanto, que Angola tem um “potencial muito interessante” e pode tornar-se na segunda ou terceira maior economia na África subsaariana.

Adiantou que a Unitel tinha “um colchão financeiro” que lhe permitiu suportar os últimos anos porque foi “cautelosa na distribuição de dividendos”, soube investir no desenvolvimento tecnológico “na altura certa” e criou capacidade financeira para aguentar o “tsunami”.

“Sobrevivemos”, salientou, adiantando que as prioridades passam agora por ajustar a oferta ao mercado e acrescentar outros serviços, entre os quais as transacções financeiras através do telemóvel.

Sem avançar datas para a disponibilização destes serviços, que está dependente do aval dos accionistas, Miguel Geraldes adiantou, no entanto, que deverá “haver respostas sobre isso este ano”.

Sobre a decisão do Tribunal Arbitral de Paris que condenou, em Fevereiro, os “accionistas fundadores” da operadora angolana de telecomunicações Unitel a pagar à PT Ventures/Oi duas indemnizações no total de 654,2 milhões de dólares (568,8 milhões de euros), escusou-se a adiantar mais informações e afirmou não ter conhecimento de qualquer recurso.

Disse apenas que a arbitragem fora de Angola poderá ser “um modelo para Angola, no futuro” porque “deu muita clareza sobre como um processo destes pode ser tratado” e é importante para outras empresas que analisem a possibilidade de investir ou não em Angola “perceberem que existe este recurso caso certo tipo de coisas aconteça”.

A Unitel conta como accionistas com as empresas PT Ventures (entidade que agrega os activos africanos que transitaram da Portugal Telecom para a brasileira Oi), Sonangol, Vidatel (de Isabel dos Santos) e Geni, todas com igual participação accionista de 25%.

Segundo a informação enviada em Fevereiro à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários pela Pharol (ex-PT SGPS, um dos principais accionistas da Oi), o Tribunal Arbitral reafirmou os “direitos da PT Ventures como accionista detentora de 25% do capital da Unitel”, empresa liderada por Isabel dos Santos, incluindo “o de nomear a maioria dos membros do conselho de administração da Unitel e o direito a receber dividendos passados e futuros da Unitel”.

Miguel Geraldes foi nomeado no final de Abril para suceder a Antony Dolton no cargo de director-geral após a assembleia-geral da Unitel, que reconduziu a empresária Isabel dos Santos na administração da operadora.

O português desenvolveu a carreira na Portugal Telecom, ao longo de dez anos, tendo liderado, também durante uma década, a MTC, principal operador móvel da Namíbia, trabalhando nos últimos dois anos, através da chinesa Huawei, o mercado de outros oito países da África subsaariana.

África cada vez mais online

Em Junho de 2018, Isabel dos Santos dizia: “Nunca tantas pessoas tiveram acesso à Internet em África. Terão sido cerca de 500 milhões em 2018. O continente está a crescer e não é só em número de pessoas. Sinal disso mesmo é a forma como o acesso à Internet se democratiza cada vez mais. África, de 2017 para 2018, aumentou em 20% o número de pessoas com acesso à Internet, quando a Ásia cresceu apenas 5% e as Américas 3%.

Este desenvolvimento acelerado mostra que, embora tenhamos ainda muito por conquistar, estamos finalmente no caminho certo. As novas tecnologias são, acima de tudo, um instrumento para o continente se afirmar e reforçar a sua posição no mundo. Uma forma de África ter uma voz cada vez mais forte. Porque só tendo um mais fácil acesso à informação, pessoas e empresas podem planear e crescer de acordo com o seu pleno potencial e alcançar todos os seus objectivos.

A partilha de informação vai com certeza mudar também as consciências dos Africanos. Vai tornar mais fácil olharmos para o nosso continente sem fronteiras, pelo imenso potencial que sempre projectou e que agora realiza. Mais informação é também sinónimo de maior democracia, maior potencial de crescimento económico e social.

Neste mesmo período, Angola cresceu 10%, tem uma das mais elevadas taxas de penetração de Internet no continente e assume-se como um agente de mudança nacional e regional. Desde 2001, com o nascimento da Unitel, que tenho o sonho e a oportunidade de me envolver e de acompanhar de perto a expansão da cobertura de internet em toda a Angola. A disponibilização de venda de equipamentos móveis, que permitiram a tantas pessoas aceder ao novo mundo da comunicação, é outro marco muito importante para a inclusão tecnológica do nosso país. Não tenho dúvidas que este movimento foi determinante.

Hoje em dia a Unitel possui uma das mais modernas redes de telecomunicações do continente, com tecnologia 4G e com o compromisso de crescer a sua rede e a velocidade a que permite o acesso à Internet. Ao mesmo se assiste um pouco por todo o continente.

Isto são boas notícias para todos os Africanos. Hoje em dia não podemos falar de inclusão sem falar da sociedade de informação. Para sermos cidadãos de pleno direito, de um mundo em constante mudança, temos de assegurar que a informação está facilmente acessível a todos, como motor dessa mesma mudança. As novas gerações sabem-no melhor do que ninguém. O próximo passo será assegurar que ninguém é excluído e que todos podem usufruir de um acesso rápido à Internet, sempre que necessitem. É esta a minha visão – uma África inclusiva, tecnologicamente avançada e preparada para o futuro, que providencia aos seus cidadãos e empresas as ferramentas indispensáveis para o seu crescimento.»

E por falar em… Isabel dos Santos

Em 13 de Abril de 2018, Isabel dos Santos foi oradora convidada na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, onde defendeu que “para crescer precisamos de um novo modelo económico. É necessária uma mudança para um novo sistema, que nos permita acomodar o crescimento populacional, dissociando-nos das limitações de recursos, e que nos permita ir ao encontro das necessidades básicas de todos. Um sistema mais justo, focado nas pessoas e na sustentabilidade do meio ambiente “.

Ao deixar alguns conselhos a estudantes e jovens sobre temáticas relacionadas com África e o desenvolvimento do continente, Isabel dos Santos alertou para a importância de se ter um plano e uma visão: “Precisamos criar uma nova narrativa para África, e trabalhar para promover uma melhor vida para todos os seres humanos. Não é sustentável existir uma diferença tão grande entre as nações desenvolvidas e os países mais pobres”.

Para Isabel dos Santos, “precisamos de pensar nas questões ambientais e em como aproveitar e explorar de forma inteligente os recursos naturais: precisamos de energia limpa, de água limpa, de solos não poluídos… Hoje, com a tecnologia, é possível reduzir a assimetria entre o continente africano e o resto do mundo”.

E acrescentou: “A inovação e a tecnologia vão-nos permitir crescer e eliminar o fosso que existe actualmente entre África e o resto do mundo”.

Durante a sua intervenção a empresária falou de alguns exemplos que, na sua opinião, demonstram desafios semelhantes partilhados pelos diversos países africanos, sublinhando a importância de se apoiarem as pequenas empresas e promover a produção local e o mercado de consumo interno, para “criarmos mais e maiores oportunidades para os africanos, num sistema mais justo que vise satisfazer as necessidades de todos e o seu bem-estar”.

A Yale Conference for African Peace and Development é uma conferência anual organizada pela Yale Association for African Peace and Development (YAAPD) – uma associação estudantil da Universidade de Yale. O evento é dirigido a estudantes e jovens adultos interessados na paz, desenvolvimento e resolução de conflitos no continente africano.

Folha 8 com Lusa

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