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Política

João Lourenço foi convidado pelo JES a pôr fim às detenções dos corruptos

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Presidente promete perdão a quem repatrie capitais mas Eduardo dos Santos move-lhe guerra no MPLA

Até à semana passada, Angola parecia ser um país dirigido por dois Presidentes, sendo que do Palácio da Cidade Alta começa a emergir a firmeza do poder de João Lourenço, o novo Presidente.

No “Kremlin” — a sede do MPLA — onde montou arraiais, José Eduardo dos Santos, inconformado, recusa aceitar a condição de “ex-monarca”. João Lourenço deu um murro na mesa esta semana e, num discurso demolidor, responsabilizou a governação anterior pela “epidemia de corrupção” que devasta o país.

O novo Presidente desafiou governantes e titulares de cargos públicos a devolverem ao Estado dinheiro ilicitamente repatriado e prometeu um “período de graça” em janeiro para quem o faça voluntariamente.

O Expresso sabe que alguns governos e instituições financeiras já terão notificado a Presidência sobre o montante e o nome de detentores de fortunas expatriadas ilegalmente.

A UNITA apoia as medidas e defende “uma governação que acabe com a impunidade que tem premiado os autores dos desvios do erário público”.

A mensagem do Presidente atingiu também em cheio o clã Dos Santos que, segundo João Lourenço, “não deve confundir a luta contra a corrupção e outros comportamentos conexos, com perseguição aos ricos ou a famílias abastadas”.

O recado é para Eduardo dos Santos que, depois da prisão do diretor nacional dos Impostos e de outros altos funcionários do Estado, em recente reunião da cúpula do MPLA, convidou João Lourenço a pôr fim às detenções.

Em resposta, Lourenço advertiu que não terá contemplações em relação aos prevaricadores que, após a moratória de janeiro, recusem voluntariamente acatar o seu apelo. “É indispensável abalar o sentimento de impunidade” — disse o Presidente.

Para evitar sanções, alguns titulares de cargos públicos detentores de fortunas injustificáveis optaram há já algum tempo por fazer regressar o dinheiro que tinham no estrangeiro.

“Desde o início do ano, sob pena de verem os depósitos no estrangeiro confiscados, os suspeitos estão a investir em empreendimentos de diversa natureza por terem percebido que o dinheiro está mais seguro em Angola” — garantiu ao Expresso o economista Gervásio Barreto.

Na mira do Presidente estão alguns dos antigos colaboradores mais próximos de Eduardo dos Santos, que está agora em empenhado em transformar o MPLA no último reduto para tentar encurralar João Lourenço. Como primeira medida Eduardo dos Santos fez eleger um novo Secretariado no MPLA e colocou homens de confiança em lugares-chave para fazer “o trabalho sujo” contra João Lourenço.

Guerra de fações manifesta

A guerra de fações no MPLA, até agora dissimulada, está abertamente instalada. Sentindo-se “traído” pelo sucessor, Eduardo dos Santos fez saber em privado que “se soubesse que o seu estado de saúde não era tão grave como admitiram os médicos não teria abandonado a governação”.

Quem também passou a ser um alvo a abater pelo líder do MPLA é Manuel Vicente, o seu antigo vice-presidente, que mantém agora uma relação de proximidade com Lourenço.

O novo Secretariado do MPLA é visto como uma espécie de governo-sombra. Porém, quando foi apresentado, figuras como Ângela Bragança, Mário Pinto de Andrade e Ana Bela Dinis questionaram os critérios adotados por Eduardo dos Santos para a indicação de alguns dos membros.

Até a sua filha, Tchizé dos Santos, acabou por ser vaiada em plena reunião num cenário impensável no passado.

“Dos Santos pode fazer as movimentações que quiser mas não pode esquecer-se de que o poder está no palácio e que o Presidente não se rege por estatutos partidários mas pela constituição” — disse ao Expresso o jurista Anastácio Fortunato.

E para o provar, João Lourenço repôs a função fiscalizadora do Parlamento sobre o Governo, que havia sido suspensa por um acórdão de Eduardo dos Santos. Expresso

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Política

UNITA sugere revisão do recrutamento de agentes

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A UNITA condena, veementemente, a morte, a tiro, da zungueira Juliana Jacinto e exorta o Executivo e o Ministério do Interior, em particular, para rever as formas de recrutamento e formação dos efectivos para a Polícia Nacional.

Viúvo de Julieta Jacinto com a bebé de poucos meses
Fotografia: Contreiras pipas | edições novembro

Numa nota de repúdio pela morte da zungueira, na terça-feira, o secretariado executivo do Comité Permanente da UNITA lamenta a morte de Juliana Jacinto e exorta o Ministério do Interior a dar particular atenção às acções de “desarmamento das mentes”.“Devem fazer parte da Polícia Nacional homens e mulheres com equilíbrio emocional comprovado, sob pena de termos em funções de segurança pública pessoas erradas que somente contribuem para a morte dos cidadãos e para o mau nome da corporação”, defende o órgão de cúpula do maior partido da oposição, que apresenta condolências à família enlutada.
A organização juvenil da FNLA condena a “forma bárbara” como Jualiana Jacinto foi morta e pede ao Ministério do Interior para que responsabilize disciplinar, civil e criminalmente os agentes envolvidos.

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A vice-presidente do MPLA, Luísa Damião, considerou ontem um acto condenável e repugnante o comportamento do agente da Polícia Nacional que resultou no assassinato da cidadã de 28 anos Juliana Jacinto.

Luísa Damião, que falava à imprensa no fim de uma visita à residência da malograda, no bairro Huambo, afirmou que não há nada que justifique que se tire a vida de uma cidadã indefesa. A vice-presidente do MPLA, que levou bens de primeira necessidade, garantiu que iria fazer um “acompanhamento especial” da situação da família de Juliana Jacinto.
O viúvo de Juliana Jacinto disse ter recebido, na quinta-feira, uma visita do governador de Luanda, Sérgio Luther Rescova, de quem recebeu uma promessa de emprego, para garantir o sustento da família e providenciar uma moradia condigna para os filhos.

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