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Política

Ministro angolano em esbanjamento no Brasil

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As autoridades brasileiras manifestaram-se surpreendidas com registros de alegados actos de esbanjamento atribuídos ao ministro das finanças de Angola, Augusto Archer Mangueira a quando da sua recente deslocação, ao Brasil para reabertura dos desembolsos da Linha de Crédito para o financiamento de alguns Projetos de Investimento Público, inscritos no Orçamento Geral do Estado de 2018.

Fonte: Club-k.net

De acordo com o que “assustou”, as autoridades daquele país, o ministro que veio de um país em crise financeira, chegou ao Rio de Janeiro numa sexta-feira, 26 de Janeiro, transportado de um jacto privado fretado para o efeito, ao invés de viajar pela transportadora de bandeira nacional TAAG, que seria menos custos para os cofres de Estado. Para além da sua delegação oficial, o governante levou uma acompanhante tendo se hospedado num dos mais luxuosos hotéis do rio de Janeiro, o Hotel Fasano.

Logo após o fim de semana passado, no Rio de Janeiro, o ministro seguiu na segunda-feira, 30, para a cidade de Brasília para assinar contratos de financiamentos e depois dos trabalhos regressou com a mesma aeronave privada a cidade do cristo redentor, para apanhar a sua acompanhante que terá ficado naquela cidade a visitar lojas. Na visão dos observadores, o ministro poderia ter ido já a Brasília com a sua companheira e dai regressarem para Luanda, ao invés da rota feita que acarretou mais custos.

De acordo com consultas, as autoridades brasileiras terão mesmo questionado a seriedade dos dirigentes angolanos baseando-se na conduta do ministro Mangueira que ao ir em missão de pedido de financiamento naquele país protagonizou sinais de esbanjamentos tais como viajar em jacto privado que permaneceu no aeroporto do Rio de Janeiro pagando taxas aeroportuárias quando poderia viajar num voo comercial.

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Política

Contribuição dos generais milionários na redução da pobreza dos ex-militares é zero – Ramiro Aleixo

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Fizeram a guerra para acabar com a guerra. Mas também, como que beneficiários da divisão do ‘espólio’, fazem parte do clube dos angolanos detentores das maiores fortunas no Mundo. Como Pilatos, lavaram as mãos e deixaram efectivos com quem ombrearam os bons e maus momentos, entregues ao esquecimento dos políticos e tecnocratas. Ou transformaram-nos em sua força de trabalho privada. Resultado: enquanto os chefes nadam no bem bom e são donos de quase tudo, a ‘carne de canhão’ desmobilizada definha sem eira nem beira, ou sobrevive com míseros subsídios. Podiam ter feito mais, ainda que e só, como elementos de pressão junto ao poder. Mas, por puro egoísmo, preferiram a acomodação fácil na riqueza!

Fonte: Club-k.net

VEGETANDO POR AÍ (4)

Certa elite do nosso generalato, que face o seu desempenho e papel de relevo jogado na luta de libertação nacional e na defesa da soberania, no pós-independência, pensávamos vir a constituir a reserva moral do Estado, optou por aliar-se à escroque criada pela gestão do MPLA para, tal qual abutres, abocanhar também o seu quinhão na disputa do que a todos nós pertence, como se a nação tivesse o mesmo significado que espólio herdado do conflito. E transformaram-se também eles, nos maiores beneficiários “do parte e reparte para ficar com a melhor parte” que nos conduziu à falência.

Todos recordamos que a guerra ainda não havia terminado, e já algumas destacadas figuras da alta hierarquia castrense rivalizavam com dirigentes do partido no poder, governantes e empresários, abocanhando meios, equipamentos, logística, recursos financeiros e humanos das Forças Armadas, para criar riqueza passando por cima de princípios, de códigos de conduta, da ética e do juramento sagrado que fizeram para servir e defender os mais elevados interesses da Pátria.

De forma descarada, seguiram aquele desbotado argumento de que “se eles (políticos & cia.) que estiveram nas cidades e no bem bom têm, porquê que nós que demos o cabedal na guerra, também não podemos ter?”. Assim, aproveitaram-se das fragilidades do Estado, da distração, da incompetência e da falta de patriotismo de quem detinha o poder absoluto, para fabricar fortunas. E muitos deles, numa postura lesa-pátria, associaram-se também a estrangeiros trambiqueiros, fartaram-se de ganhar (ou lavar) dinheiro mas à custa da delapidação das estruturas do próprio Estado, contribuindo para o aprofundar da corrupção, das distorções no mercado de bens e serviços, para o mau funcionamento da banca e da justiça e quiçá, para a existência de problemas graves no domínio da saúde pública, que estão ainda longe de ser devidamente aferidos.

Por via deles, ao longo desses tempos, do ovo à água de mesa engarrafada, fomos forçados a comer e a beber todo o tipo de mistela importada, ao preço do melhor vinho e do melhor bife. E muitos desses importadores estrangeiros desonestos, entraram em Angola pela porta de cavalo, acobertados pela influência de generais no activo. Contribuíram sobremaneira para a falência do Estado e para a implantação generalizada da corrupção, que coloca Angola entre as piores nações neste domínio. Uma vergonha!

Com o fim da guerra e maior abertura no sector do comércio, deixamos de ver longos comboios de camiões militares e civis que entravam pela fronteira de Santa Clara, no Cunene, com carregamentos de cerveja que não pagavam impostos. E reduziram substancialmente os desvios de víveres da logística despachados para o mercado negro em aviões militares, preferencialmente para zonas diamantíferas, com encaixes financeiros na ordem dos 100%, porque tudo era obtido a custo zero. A estratégia passou a ser outra e porque “fizeram a guerra para acabar com a guerra” e saíram-se vitoriosos, assumiram-se como os ‘donos de quase tudo’, com a condescendência de quem comandava, provavelmente para sua própria defesa, já que a África era prodiga em golpes de Estado perpetrados por militares (até por sargentos). Não ‘fosse o diabo tecê-las’.

Desse modo, os integrantes dessa elite castrense, ou melhor, os nossos camaradas chefes, comandantes e generais, mesmo no activo, no exercício de funções de comando militar, transformaram-se em empresários milionários, acionistas de bancos, donos de minas de diamantes, de companhias de aviação, de empresas criadas para venda exclusiva de bens de consumo e prestação de serviços ao Governo; de grandes empreendimentos comerciais incluindo hotéis, casinos, casas de prostituição e clínicas; das maiores extensões de terras virgens e de fazendas abandonadas pelos colonos. Encarnaram o espírito de verdadeiros lactifundiários, para além de serem também proprietários de embarcações e unidades de processamento do pescado. Estenderam a sua acção por todos os principais domínios da economia, e apesar de não existirem dados estatísticos fiáveis, não estaremos longe da realidade se afirmarmos que, em cada grupo de 10 angolanos detentores de grandes fortunas, cinco são generais.

É claro que, como qualquer cidadão angolano, também têm o direito de construir riqueza. Mas, de forma alguma desrespeitando leis, por via da utilização indevida do poder da farda e da patente, ou arrogar-se beneficiários de protecção ou estatuto especial por terem prestado elevados serviços à Pátria, até porque, nessa empreitada, nunca estiveram sozinhos. Nenhum general ganhou a guerra sem a contribuição da ‘carne para canhão’. E nessa guerra que colocou irmãos contra irmãos, morreram militares e civis, e muitos milhares de sobreviventes deambulam ainda pelas cidades, vilas e aldeias sem recursos, empobrecidos, esquecidos no enquadramento social, tentando sarar feridas reabertas todos os dias pelo abandono a que foram votados pelo sistema corrupto e desumano que se implantou no pós-conflito.

Por outro lado, também não constitui nenhuma inverdade se afirmarmos que, para sua própria protecção e dos múltiplos interesses e empreendimentos que detêm, muitos dos nossos generais ainda têm ainda ao seu serviço grupos de desmobilizados ou efectivos pagos pelas Forças Armadas. Provavelmente, esse acerto ‘tácito’ do poder faz parte de uma estratégia para garantir a sua própria segurança, tendo em conta que esses ‘(des)mobilizados’ podem constituir uma espécie de reserva ‘especial’, ou uma forma de ter sob controlo quem, arrancado do seu habitat para “fazer a guerra e acabar com a guerra”, porque só aprendeu a fazer isso, liberto agora da farda e sem ocupação ou enquadramento profissional, sem suporte e assistência do Estado, sente-se abandonado, frustrado e pode constituir uma forte ameaça à estabilidade.

É claro que a nação não é ingrata. Logo, de forma alguma se deverá escamotear o empenho e a competência de muitos dos nossos generais, na defesa da integridade do solo pátrio. Por isso, nem nos importamos sequer com aqueles que, mesmo não se conhecendo qualquer acção de relevo, ao abrigo do amiguismo, da cumplicidade ou de concertação velada, beneficiaram sucessivamente de promoções, enquanto outros, provavelmente até mais merecedores, foram sendo arrumados na prateleira, até caírem no esquecimento.

 

RASTO DE REPRESSÃO E DE IMPUNIDADE

Mas será que ainda assim se justifica tanta voracidade no abocanhar do que a todos nós pertence? É normal que um só general tenha 16 fazendas, quando a sua própria família não se revê nesse exercício, apesar de terem criado nalgumas o conforto e o luxo comparáveis ao de hotéis de cinco estrelas?

Ao longo dos tempos, constatamos que a intervenção negativa do nosso generalato influenciou profundamente o exercício da governação e a edificação do Estado democrático e de Direito, condicionando o desempenho do sector da Justiça, ajudando a consolidação do sistema político ditatorial. Estendeu-se por todos nós o sentimento de que ela não funciona, ou só funciona para os mais fracos. Com o seu silêncio cúmplice, protegeu a impunidade, acobertou a corrupção de alto nível, o desfalque do erário público, a repressão que se abateu sobre liberdades fundamentais estabelecidas pela Constituição.

Sem necessidade de recurso à citação de nomes, até porque os visados estão perfeitamente identificados, entre as quatro figuras tidas como as que mais acumularam fortuna por vias pouco transparentes, duas são generais do círculo restrito do ex-Presidente da República. No funcionamento dos órgãos de Segurança e da Justiça, o que a nossa história regista como do pior que a Nação conheceu nesses 44 anos de independência, também tem intervenção de generais. Dos assassinatos em massa na intentona do 27 de Maio DE 1977, aos casos mais recentes que culminaram com a prisão e julgamento de jovens por se manifestarem contra o sistema, há generais. E quis a história também registar, a coincidência de duas iniciais dos nomes mais referenciados nos últimos anos, e que serão recordados como dos piores na gestão eduardista: o J de José ou de João e o M de Maria. Se o desempenho e a fidelidade de um serviu para manter o sistema ditatorial e de perseguição política, o do outro, a impunidade, o sequestro a que fomos submetidos pelo regime corrupto; os dois generais jotas de mãos dadas, contribuíram para que depois de um período de graça pelo facto de se ter terminado com a guerra, o sistema implantado por JES tenha chegado ao fim do seu período de vigência com os níveis mais baixos de popularidade de que há memória, depois do massacre que se seguiu ao 27 de Maio de 1977, no curto período de governação de Agostinho Neto.

 

PACTO DE NÃO INGERÊNCIA DOS GENERAIS

Regra geral, na gestão da vida (até dos irracionais) o que é mau deixa sempre marcas mais profundas do que aquilo que é bom. Por exemplo, o impacto da construção do Kilamba, uma obra grandiosa, perdeu-se no meio dos inúmeros constrangimentos que afligem os moradores. Para boa parte, os dias e as noites nessa centralidade transformaram-se em autênticos martírios.

Olhando para todos os factores coadjutores do atraso em que nos encontramos, tendo em consideração o volume de recursos que estiveram disponíveis e como foram mal geridos, temos poucas razões para sentir orgulho da prestação da nossa classe de políticos e de governantes. Mas, na mesma esteira, será que devemos mesmo ter esse sentimento em relação aos feitos dos nossos generais, quando é demasiado evidente que eles (respeitando as devidas excepções) também contribuíram para a implantação do lobo mau? Não foram eles que de forma voluntária abandonaram a defesa dos mais altos interesses do povo e da Nação que juraram respeitar, para se transformar num poder paralelo, que directa ou indirectamente, contribui (ou pactuou) para a desgraça que se abateu sobre todos nós? Se os temos no que foi bom, é possível separá-los do que se fez de mau?

O novo Presidente da República, general de patente, também pertence a essa elite de generais/políticos que não é pobre. Logo, tem perfeita consciência do que aqui abordamos. O que se espera dele agora é que, face a postura inicialmente mais patriótica que tem em relação a do seu antecessor, e aproveitando a onda de popularidade conquistada nas eleições (apesar de estar a defraudar as nossas expectativas) pode e deve assumir a arrumação do sector castrense, como uma das prioridades. Já foi ministro da Defesa, conhece bem esta casa e agora nas vestes de Comandante-em-Chefe, tem autoridade para encetar a viragem, depurando as fileiras das Forças Armadas dos generais e de outros oficiais superiores transformados em empresários, bem como de outras práticas promíscuas que neste sector e ao nível do Ministério do Interior, constituem exemplos acabados da falência do Estado angolano. Pode em sã consciência e com o seu salário, o comandante de uma unidade militar ou policial adquirir uma viatura Porsche ou outra qualquer top de gama? Não! E se a tem, é porque vive de esquemas, logo incompatíveis como os regulamentos. Doravante, quem pretende fazer negócio que o faça, mas não com os meios e a partir das Forças de Defesa e Segurança.

Mas, João Lourenço, não está longe de nos demonstrar que também é um ditador. Começou mal, ao voltar a entregar a responsabilidade da Procuradoria Geral da República a um militar (general). Não está em causa a competência deste, até porque no exercício da Justiça, o que tem falhado substancialmente não tem sido a formação (ou deformação) dos nossos juristas, mas sim, a sobreposição de interesses na interpretação das leis em favor do poder. E os militares, até para salvaguarda da sua própria imagem, do distanciamento que é devido dessas querelas da sociedade em torno da legalidade e da ilegalidade, para libertarem o poder civil e sentirem-se como uma autoridade à parte, deveriam abster-se da ocupação de cargos que nos estados democráticos e de direito, estão reservados exclusivamente à responsabilidade do poder político civil, incluindo a de ministro da Defesa. Para não parecer que vivemos na continuidade da ditadura eduardista. E o país, nesta fase, já não se compadece com a existência de governadores provinciais generais e sem qualquer visão económica.

Assim, aproveitando a onda do repatriamento de capitais e do apelo à boas práticas, é este também um bom momento para que o Presidente da República dialogue de frente com o poder (paralelo) castrense, no sentido deste, com a riqueza que acumulou, apoiar o financiamento de programas do Executivo virados para enquadramento e assistência de antigos combatentes, desmobilizados, deficientes, viúvas e órfãos de guerra e abandonar as más práticas. Seria um bom começo ter-se essa questão em primeiro plano, porque na radiografia ao passado histórico, também eles figuraram como heróis anónimos.

Para a efectiva harmonização nacional, todas essas referências não devem significar apenas passado, mas sim o ponto de partida para o começo de um novo ciclo de relação entre os militares e a sociedade, tomando em devida conta que o futuro seguro não se constrói, deixando tantos pendentes para trás. E a depuração e a dignificação da prestação de serviço nas Forças de Defesa e Segurança, constitui o caminho incontornável para a moralização de tudo o resto. Senão, é só pimpa, conversa para boi dormir e continuaremos a assistir o assassinato impune de meninos Rufinos.

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