Tuberculose mata 62 pessoas no Huambo

Huambo – Sessenta e duas pessoas, de um total de cinco mil e 809 atendidas, morreram de tuberculose, no Hospital Sanatório da província do Huambo, nos primeiros seis meses deste ano.

 

JOAQUIM ISAAC, DIRECTOR DO HOSPITAL SANATÓRIO

JOAQUIM ISAAC, DIRECTOR DO HOSPITAL SANATÓRIO

 

Os números representam diminiução de três óbitos, em relação ao mesmo período de 2019, conforme o director da unidade sanitária, Joaquim Isaac.

Em declarações à ANGOP, nesta quinta-feira, o gestor informou que houve, também, mil e 92 infectados a menos, passando de 6.901 (em 2019) para 5.809 (em 2020).

Segundo Joaquim Isaac, muitos doentes chegam a perecer no hospital com um quadro clínico de tuberculose associado a outras patologias, como a malária, parasitoses intestinais, VIH/Sida, doenças respiratórias aguadas, hipertensão arterial e malnutrição.

O também médico infecciologista disse que maior parte dos casos de óbitos devem-se à chegada tardia dos doentes ao hospital, além do facto de outros recorrerem ao tratamento tradicional e dirigirem-se à unidade sanitária já com o fígado danificado.

O gestor do Hospital Sanatório do Huambo referiu que a diminuição dos novos diagnósticos e, se calhar dos casos de óbitos, em comparação ao período anterior, deveu-se às restrições impostas no âmbito das medidas de prevenção e combate à pandemia da Covid-19.

Acrescentou que, além dos doentes da província do Huambo, o Hospital, com 200 camas para internamento, presta assistência médica/medicamentosa a doentes das províncias de Benguela, Bié, Cuando Cubango, Cuanza Sul, Huíla, Cabinda e Luanda.

Entretanto, o responsável lamentou o facto de alguns familiares abandonarem os doentes com tuberculose, associado ao VIH/Sida, um “duro golpe” ao processo de recuperação do enfermo que, em média, pode fazer seis meses.

Isso tem obrigado os profissionais a fazer duplo papel de assistência médica e social.

Quanto à disponibilidade de medicamentos, descartou qualquer carência, confirmando, também, que os doentes têm direito a cinco refeições por dia (pequeno almoço, lanche, almoço, lanche e jantar), não obstante o facto de o tratamento ser bastante oneroso.

Fundamentou que, em média, um doente internado pode gastar dez mil kwanzas.

Sanatório processa amostras de covid-19

Noutra vertente, Joaquim Isaac disse que a instituição terá, em breve, um laboratório de referência, numa iniciativa do Ministério da Saúde.

Pretende-se com isso diagnosticar casos de tuberculose e, ao mesmo tempo, processar amostras de Covid-19, numa altura em conta com um de análises clínicas e outro de cultura e microbactérias.

Joaquim Isaac acrescentou que, apesar da insuficiência de técnicos de diagnóstico e terapêutica (19), quando o número ideal seria de 32, a instituição pretende ter uma rede de laboratórios de grandes valências, para uma assistência oportuna e eficiente.

De igual modo, a instituição precisa do reforço de 15 médicos de diversas especialistas, para ajudarem os actuais três efectivos, de profissionais enfermeiros, tendo, actualmente um total de 55, sendo 33 técnicos médios e 22 com o grau superior de licenciados.

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria que afecta, principalmente, os pulmões, mas também pode ocorrer em outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro).

A sua transmissão é directa, de pessoa a pessoa, sendo que a aglomeração de pessoas é o principal factor de transmissão.

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