Médicos angolanos acusam bastonária de criar um “sistema de terror”

O presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA), Adriano Manuel, acusou hoje a médica Elisa Gaspar, que classifica de “ex-bastonária” da Ordem dos Médicos de Angola (ORMED), de ter criado um “sistema de terror” naquele órgão.
“Aex-bastonária criou um sistema de terror na Ordem, onde todo mundo tinha medo dela, ela não teve dó nem piedade de despedir uma funcionária que padecia de cancro, sob pretexto de que a jovem apresentava muitos justificativos e fez isso com vários funcionários”, afirmou hoje Adriano Manuel, em entrevista à Lusa.
O SINMEA também ratificou a deliberação da assembleia extraordinária do conselho regional norte da ORMED que aprovou, no sábado passado, a destituição de Elisa Gaspar, devendo ser promovidas novas eleições em 90 dias.
De acordo com a deliberação aprovada no final da assembleia-geral extraordinária e lida por Arlete Luyele, presidente da assembleia do Conselho Regional Norte da Ordem dos Médicos, além da destituição foi também decidido criar uma comissão de inquérito para analisar as irregularidades e promover uma auditoria independente.
Elisa Gaspar, há mais de um ano no cargo de bastonária da ORMED, é acusada de “descaminho de fundos e gestão danosa” da instituição, entre os quais um alegado desvio de 19 milhões de kwanzas (256.000 euros), e de “outros gastos injustificados”.
Segundo Adriano Manuel, o apoio do sindicato que dirige à destituição reside no facto da “ex-bastonária não estar em alinhamento com aquilo que são os objetivos” da Ordem.
“Ela (Elisa Gaspar) numerosas vezes extrapolou os estatutos da Ordem, demarcou-se da manifestação em prol da morte do nosso colega Sílvio Dala manifestando falta de solidariedade e até ao momento não prestou contas sobre o dinheiro do órgão”, disse.
O líder sindical acusou também Elisa Gaspar de ter “destruído” a base de dados da ORMED.
“De tal forma que neste momento a Ordem ainda não tem ou está a formar uma outra base de dados”, apontou.
A médica Elisa Gaspar tem negado todas as acusações.
A direção da ORMED anunciou, na segunda-feira, que a bastonária “continua em funções até ao final do seu mandato” e considerou a sua anunciada destituição como uma “tentativa de manipulação da opinião pública”.
Questionado sobre o posicionamento da direção da ORMED que, em comunicado, assegurou que Elisa Gaspar vai continuar no cargo, Adriano Manuel afirmou: “Ela foi destituída e não vai continuar no cargo, de certeza”.
“A assembleia de sábado foi convocada pela região norte mas teve participação de médicos de quase todo o país e regiões que deliberaram a sua destituição e que nós apoiamos”, concluiu.
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